O Hemocentro do Estado da Bahia (Hemoba) registrou uma queda de aproximadamente 30% no volume de doações de sangue após o período do Carnaval, segundo dados internos da fundação obtidos pela reportagem do BahiaBR. A situação, considerada crítica pela diretoria técnica, levou à intensificação imediata do atendimento em unidades móveis e à ampliação de horários em postos fixos em Salvador. O sangue coletado é um insumo irreproduzível em laboratório e sustenta tratamentos de câncer, cirurgias complexas e o atendimento de urgência em toda a rede pública de saúde do estado.
Por que os estoques de sangue estão em alerta na Bahia?
O pós-Carnaval tradicionalmente pressiona os bancos de sangue. Acontece que o aumento de casos de viroses, como gripes e resfriados, afasta temporariamente doadores em potencial – quem está com febre ou tomando medicamentos não pode doar. O problema é que a demanda hospitalar não para. “Um paciente em tratamento de leucemia pode necessitar de múltiplas bolsas de concentrado de plaquetas por semana”, explica a biomédica e coordenadora de coleta do Hemoba, Dra. Carla Santos Rocha. O fato é que a margem de segurança dos estoques, que deveria ser mantida em pelo menos cinco dias para todos os tipos sanguíneos, está abaixo do ideal para alguns grupos, como O negativo e A negativo.
Para tentar reverter o cenário, a estratégia foi levar a coleta para onde as pessoas estão. A unidade móvel, o Hemóvel, terá uma maratona de atendimento em pontos de grande fluxo. Ninguém avisou os moradores com a urgência necessária. A programação inclui o Tribunal de Justiça da Bahia (19 e 20/03), o Salvador Shopping (de 19 a 21, 23, 28 e 30/03), a UNIFTC Paralela (24 e 25/03) e a UNIDOMPEDRO (26 e 27/03). O funcionamento é das 8h às 17h. Traduzindo: a fundação está correndo atrás do prejuízo para evitar o desabastecimento.
Onde doar sangue em Salvador neste momento?
Além do Hemóvel, as unidades fixas tiveram seus horários estendidos. O posto no Shopping Bela Vista funciona em março de segunda a sábado, das 9h às 18h. O Hemocentro Coordenador, na sede, atende até as 18h30 durante a semana. Olha o dado: são 11 horas de funcionamento ininterrupto de segunda a sexta. Os outros hemocentros hospitalares, como o do Hospital Roberto Santos e do Hospital do Subúrbio, também mantêm jornada ampliada. A conta é simples: sem doação regular, um acidentado na BR-324 ou uma mãe em complicação no parto pode enfrentar um risco desnecessário.
Quem paga a conta é o morador que depende do SUS. A reportagem do BahiaBR esteve no Hemocentro Coordenador na manhã desta terça-feira, 17 de março de 2026, e conversou com doadores. “Vim porque soube da queda nos estoques. É rápido, seguro e salva vidas. Mais gente deveria vir”, relatou o professor Marcos Silva, de 42 anos, que doa regularmente. O processo leva, em média, 40 minutos da triagem à doação efetiva. O que pouca gente sabe é que uma única doação pode beneficiar até quatro pacientes diferentes, pois o sangue é fracionado em hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado.
Os critérios permanecem os mesmos: estar saudável, pesar mais de 50 kg, ter entre 16 e 69 anos (com ressalvas para as extremidades) e portar documento original com foto. Ironicamente, um dos maiores obstáculos não é a falta de boa vontade, mas a desinformação. Muitos acreditam em impedimentos que não existem mais, como longos períodos de inaptidão após tatuagens ou piercings. O Hemoba, que monitora esses indicadores há décadas, reforça: a necessidade é constante. Enquanto a unidade móvel tenta captar novos doadores nos shoppings, nos hospitais a espera por uma bolsa de sangue não tem data para acabar.
