- Roubo de fios gera prejuízo milionário e coloca vidas em risco
- Quais são os bairros mais afetados pelos roubos?
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Roubo de fios gera prejuízo milionário e coloca vidas em risco
A cidade de Salvador registrou um aumento de 18% nos furtos de cabos e equipamentos de iluminação pública nos primeiros dois meses e meio de 2026, um crescimento que se tornou tragicamente palpável na manhã desta quarta-feira, 18 de março. Na Avenida Vasco da Gama, um homem morreu após sofrer uma descarga elétrica ao tentar furtar fios de um poste da rede de energia. O caso, investigado pela Polícia Civil, expõe o risco fatal por trás de uma prática criminosa que já custou quase R$ 5 milhões aos cofres públicos apenas no ano passado. A Diretoria de Serviços de Iluminação Pública (Dsip) da Prefeitura de Salvador alerta que, além do prejuízo material, os furtos criam pontos cegos na cidade e deixam estruturas energizadas expostas, ameaçando a segurança de toda a população. O prejuízo financeiro já bateu a casa dos R$ 902 mil em 2026 só com a reposição de materiais. Para se ter ideia, o valor total de 2025 – R$ 4,96 milhões – seria suficiente para instalar cerca de 2.500 novos pontos de luz em bairros periféricos, segundo parâmetros técnicos do setor. O diretor da Dsip, Ângelo Magalhães, foi direto ao ponto: “Além do prejuízo financeiro, os furtos provocam apagões em vias públicas, comprometendo a visibilidade e aumentando a sensação de insegurança para motoristas e pedestres”.
Quais são os bairros mais afetados pelos roubos?
A reportagem do BahiaBR identificou que o problema não é uniforme. Ele se concentra com força em regiões como Itapuã, Dique do Tororó, Jardim das Margaridas e Brotas. Valéria, Nova Brasília, Uruguai, Engenho Velho de Brotas e Pituba também figuram na lista negra das áreas mais visadas. Nesses locais, as equipes de manutenção da Dsip trabalham em modo de resgate constante, recompondo fios e equipamentos em um ciclo vicioso de conserto e novo furto. O resultado é uma cidade com iluminação intermitente, onde a escuridão vira cúmplice da insegurança e a conta do descaso recai sobre o contribuinte. E o pior: a ficha caiu tarde demais para a vítima da Vasco da Gama. O caso escancara a dimensão do perigo que a reportagem do BahiaBR acompanha há anos. “Estamos falando de uma prática extremamente perigosa”, reforçou Ângelo Magalhães. “A rede de iluminação envolve energia elétrica e qualquer intervenção irregular pode resultar em acidentes graves e fatais. É um risco real para quem tenta furtar e também para a população ao redor”.
Prefeitura tenta conter danos com materiais mais resistentes
Diante do avanço do crime, a estratégia municipal tem sido reativa. A Dsip informa que amplia a implantação de soluções chamadas “antivandalismo”, como a instalação de braços de poste em aço inox e a utilização de técnicas que dificultam o acesso aos cabos. Há também um reforço prometido no monitoramento e na fiscalização das áreas críticas. O fato é que os números mostram que a medida ainda não foi capaz de frear a onda de furtos. A história se repete, e quem paga a conta é o morador.
Enquanto a Prefeitura de Lauro de Freitas gasta milhões repondo o que é furtado, bairros inteiros seguem esperando por expansão da rede ou modernização de pontos de luz antigos. O dinheiro drenado pelo vandalismo deixa um rastro de escuridão e insegurança. A morte na Vasco da Gama é a face mais cruel de um problema que vai muito além dos números financeiros, tornando-se uma grave questão de segurança pública e saúde urbana. A pergunta que fica é até quando a cidade vai conviver com esse risco energizado à espera da próxima tragédia.




