A terceira edição do Festival de Literatura do Salvador começou nesta quinta-feira, 26 de março, no Salvador Shopping, com uma homenagem ao escritor Jorge Amado e uma programação que explora a relação entre literatura e audiovisual. O evento, que tem como tema “Histórias da Bahia que brilham nas telas”, segue com atividades gratuitas até o próximo domingo, 29 de março, integrando as comemorações dos 477 anos da capital baiana. A abertura contou com uma performance do ator Jackson Costa interpretando Vadinho, personagem de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”.
Logo após a apresentação, o debate “A Baianidade Amadiana em Planos, Cores e Movimentos” reuniu nomes como a produtora e neta do escritor, Cecília Amado, o diretor Sérgio Machado e o pesquisador Luis Miranda. A mediação ficou por conta de Ceci Alves. A noite inaugural foi encerrada com a exibição do filme “Capitães da Areia”, adaptação da obra homônima de Amado. A programação ocorre no Cinemark do shopping e é voltada para todas as idades.
Promovido em parceria pelo Salvador Shopping e pelo Instituto JCPM de Compromisso Social (IJCPM), o festival é um dos braços do Festival da Cidade 2026. O objetivo é claro: valorizar a cultura local e, de quebra, formar novos leitores. A conta da cultura, quando não é incentivada, fica sempre mais cara para a sociedade. E aqui mora o problema: será que iniciativas como essa conseguem ir além dos muros do shopping e alcançar as periferias literárias de Salvador?
Programação gratuita até domingo no Cinemark
Até o dia 29, o público tem acesso livre a uma série de debates, encontros e atividades. A curadoria mira nas conexões entre o texto escrito e as imagens em movimento, puxando o fio das narrativas baianas que ganharam as telas do cinema e da TV. A programação inclui uma agenda específica para o público infantil, tentando plantar a semente da leitura desde cedo.
O festival acontece em um momento emblemático: a cidade celebra 477 anos. Integrar uma ação literária às festividades oficiais é um movimento que busca dar densidade cultural ao aniversário, indo além dos shows e eventos tradicionais. O desafio é transformar o interesse passageiro em hábito permanente, fazendo com que a paixão pelas histórias locais não se apague com o fim das luzes do projeto.
O legado de Amado no centro do debate
A escolha de Jorge Amado como foco da abertura não é aleatória. Sua obra é um patrimônio narrativo da Bahia, com dezenas de adaptações para cinema, TV e teatro. Ter Cecília Amado e Sérgio Machado na mesa trouxe o olhar de quem lida diretamente com esse legado, da produção à direção. Jackson Costa, ao reviver Vadinho, mostrou como os personagens amadianos continuam vivos e potentes.
O que significa que a baianidade discutida no evento vai muito além do estereótipo. Ela passa pela complexidade social, pela crueza e pela beleza capturadas nos livros e transportadas para as telas. O festival tenta decifrar esse código. Será que consegue? A resposta está na plateia que lota as salas e nos leitores que saem de lá com um livro na mão.
O evento segue até domingo. Quem perdeu a abertura ainda tem tempo de mergulhar nas histórias da Bahia. A programação completa está disponível nos canais do Salvador Shopping. A conta da desinformação e do esquecimento cultural é alta. Iniciativas como essa tentam pagar uma parte dela.