O cortejo que une gratidão e futuro
A aposentada Maria Helena Paranhos, 64, sente a emoção subir a cada passo. Ela percorre os oito quilômetros do cortejo desde os 11 anos de idade, quando chegou de Gandu. “Para mim é muita gratidão por tudo, pela minha família. Eu só peço paz nesse mundo. Que cubra a nossa Bahia. Axé”, compartilha, em um relato que ecoa entre milhares de devotos. Sua história pessoal se funde à da própria festa, que completa 281 anos transformando Salvador em um grande caminho de fé e identidade. É neste cenário de renovação coletiva que a celebração ganha vida, muito além do ritual.
Governo na multidão, pedindo paz e agradecendo
No meio da caminhada, o governador Jerônimo Rodrigues fez seu agradecimento. “Peço a Deus um ano de paz e tranquilidade”, disse, acompanhado por parte do secretariado. Ele mencionou a oportunidade de emprego e a saúde das pessoas como motivos de sua prece. Conforme seus registros públicos, o gesto na Colina Sagrada também foi um momento para reconhecer os avanços dos últimos três anos no estado. O vice-governador, Geraldo Júnior, reforçou o tom. “Esperança, expectativa, força, união, resistência. Aqui tem um simbolismo muito especial”, afirmou, conectando a fusão cultural às ações em educação e saúde.
A estrutura que permite a celebração segura
Uma operação complexa sustentou a tradição. A Secretaria da Segurança Pública coordenou o policiamento e o monitoramento em tempo real. O Corpo de Bombeiros instalou postos de comando e pontos com água tratada, fornecida pela Embasa. O apoio estadual também se fez presente na cultura. Blocos fortalecidos pelo Edital Ouro Negro, uma articulação da Secult-BA com a Sepromi, trouxeram mais cor e ritmo ao percurso. A Setur apoiou a programação, enquanto a SJDH promoveu ações de conscientização. A TVE levou a festa ao vivo para quem não pôde ir.
Sincretismo que lava o adro e abençoa o povo
A verdadeira essência da Lavagem pulsa nessa fusão. Baianas vestidas à maneira africana carregam cântaros com água de cheiro. Elas lavam o adro da igreja e abençoam a multidão. É o sincretismo em gesto puro: o Senhor do Bonfim para uns, Oxalá para outros. O sagrado e o profano caminham juntos, entre oração e festa. A celebração sobrevive e se revitaliza há séculos justamente por isso. Por abraçar a diversidade de crenças em um único ato coletivo de purificação e esperança. É onde a cultura baiana mostra sua força mais resistente e acolhedora.
