A exploração da fé e do afeto como ferramentas de crime encontrou uma barreira judicial nesta terça-feira (6). Um homem de 42 anos, apontado como o articulador de um esquema complexo de estelionato, foi retirado de circulação no bairro da Conceição, em Feira de Santana. A prisão, efetuada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), desarticula uma engrenagem de fraudes que se estendia para além das fronteiras baianas. O investigado utilizava a roupagem de guia espiritual para seduzir e, posteriormente, desfalcar o patrimônio de suas vítimas.
O sucesso da Operação Fake Love expõe uma ferida aberta na segurança pública contemporânea: a vulnerabilidade digital aliada à manipulação psicológica. O suspeito não apenas solicitava valores; ele construía um ambiente de confiança meticuloso antes de efetivar o dano financeiro.
O “Modus Operandi”: Da Espiritualidade ao Desfalque
As investigações detalham uma tática de aproximação persistente. O indivíduo gerenciava grupos em plataformas de mensagens, onde distribuía conteúdos religiosos diariamente. Esse comportamento buscava criar um vínculo de autoridade moral e proximidade emocional.
Abaixo, os pilares da estratégia criminosa identificados pela Polícia Civil:
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Doutrinação e Confiança: Uso de pregações para estabelecer uma imagem de idoneidade.
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Vínculo Afetivo: Início de supostos relacionamentos amorosos com as integrantes do grupo.
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Indução ao Erro: Após a consolidação do laço, o suspeito solicitava remessas de dinheiro sob variados pretextos.
Ficha Criminal: Um Rastro de Delitos em Cinco Regiões
O que parecia um caso isolado revelou-se a atuação de um criminoso contumaz. A inteligência policial identificou que o homem já era alvo de apurações por crimes contra o patrimônio em quase todas as regiões do Brasil. Seu histórico inclui passagens por:
| Estado | Natureza da Investigação |
| Bahia | Estelionato, Furto com fraude, Uso de documento falso |
| Sergipe e Pernambuco | Crimes Patrimoniais (Nordeste) |
| Goiás e Mato Grosso do Sul | Delitos de mesma natureza (Centro-Oeste) |
| Paraná | Crimes Patrimoniais (Sul) |
Além do estelionato clássico, a justiça agora analisa indícios de invasão de dispositivos informáticos. Esse dado sugere que o investigado poderia acessar informações privilegiadas das vítimas para refinar suas abordagens ou realizar transações indevidas.
Reflexos na Capital e Região Metropolitana
A prisão em Feira de Santana reverbera diretamente em Salvador e Lauro de Freitas. Na capital, as delegacias da Barra (14ª DT) e da Pituba (16ª DT) já acumulavam registros de boletins de ocorrência contra o mesmo indivíduo. Isso demonstra que o raio de ação do golpista atingia áreas de alto poder aquisitivo e grande circulação de pessoas, como evidenciado em uma recente operação em bairros de luxo.
Para Lauro de Freitas e cidades adjacentes, o caso serve de alerta sobre a segurança em transações digitais e o perigo de vínculos financeiros estabelecidos exclusivamente em ambientes virtuais. A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) reforça a necessidade de que outras possíveis vítimas procurem as unidades policiais para formalizar as queixas, fortalecendo o corpo probatório do processo.
Rigor Jurídico e Custódia
A ordem de prisão foi expedida pela 1ª Vara Criminal de Feira de Santana. O cumprimento do mandado ocorreu sem resistência, e o custodiado foi submetido aos exames de praxe. No momento, o sistema judiciário assume o protagonismo para garantir que a responsabilidade penal seja aplicada conforme a gravidade dos danos causados às diversas mulheres lesadas, em linha com a atuação da Justiça em casos de crimes contra vulneráveis.
A sociedade aguarda que o aprofundamento do inquérito revele a magnitude total do prejuízo financeiro imposto às vítimas. O Portal BahiaBR seguirá acompanhando o desfecho deste caso, priorizando a informação que auxilia na proteção do cidadão contra novas táticas de fraude, como as que foram descobertas na Operação em Amélia Rodrigues.
