A solução para um problema comum veio do que ia para o lixo. Alunos do Cetep Baixo Sul desenvolveram um produto 100% natural a partir da casca do nibs de cacau, ganhando destaque estadual e planejando um negócio.
Prisão de ventre. O incômodo é silencioso, mas atinge milhões. Foi pensando nisso — e no desperdício — que um trio de estudantes de Gandu decidiu inovar. Raquel Fernandes, Everton Gabriel e Flávia Oliveira, do Centro Territorial de Educação Profissional do Baixo Sul (Cetep), pegaram a casca do nibs do cacau, um resíduo normalmente descartado, e criaram o Fibra +, um produto para combater a constipação intestinal.
A motivação veio da observação. Orientados pela professora Delma Alves, do Curso Técnico de Nutrição e Dietética, eles enxergaram potencial onde outros só viam lixo. “A casca é riquíssima em fibras e antioxidantes, auxilia na digestão e contribui para a saúde”, explica Raquel Fernandes. E o melhor: “É uma alternativa sustentável por reutilizar um produto natural”.
O projeto não ficou restrito à sala de aula. O Fibra+ chamou a atenção no Bahia Tech Experience (BTX), o maior evento de inovação do estado. Agora, a equipe já vislumbra patentear a ideia e mergulhar de cabeça no empreendedorismo. “É uma grande oportunidade, tanto do ponto de vista financeiro quanto do bem-estar, para nos inserirmos na indústria de produtos saudáveis”, projeta Flávia Oliveira.
O entusiasmo tem fundamento. O produto se diferencia pelo que não tem. “Diferente de outros laxantes, que geralmente são industrializados, caros e cheios de aditivos químicos, o nosso é 100% natural, mais acessível, saudável e sustentável”, defende Raquel. O grupo agora busca parceiros e investidores para aprimorar a fórmula e obter a certificação dos órgãos competentes.
Por trás do sucesso dos alunos, está uma visão de educação que vai além da teoria. Para a professora Delma Alves, estimular a juventude em projetos assim é essencial. “É um meio de desenvolver competências cruciais para a vida e prepará-los para os desafios do futuro”, reflete. Ela vê nessa estratégia uma pedagogia que forma não apenas técnicos, mas cidadãos conscientes e profissionais completos.
— E é assim, com criatividade e um olhar atento para o que a terra oferece, que o interior baiano fabrica seu próprio futuro. Um futuro mais saudável, sustentável e cheio de oportunidades.