Uma resposta criativa para um problema antigo
Samara Pereira e Yêgo Gabriel, estudantes do interior da Bahia, transformaram uma preocupação comum em uma solução concreta. Eles desenvolveram um repelente em creme feito com cravo-da-índia, pensado especialmente para proteger comunidades carentes das picadas do Aedes aegypti. O produto surge como uma alternativa acessível em um momento crítico. Conforme dados do InfoDengue apresentados por pesquisadores, o Brasil pode registrar até 1,8 milhão de novos casos de dengue em 2026.
Ciência com os pés no chão
A professora Mirian de Carvalho, que orientou o trabalho, explica que o projeto nasceu com um propósito claro: compartilhar conhecimento e oferecer uma opção de baixo custo. “Os ingredientes são acessíveis e fáceis de encontrar”, afirma Mirian. Isso torna a fórmula viável para populações com menos recursos. O projeto, que ganhou destaque no Encontro Estudantil da Secretaria da Educação, agora busca aprimoramentos. A equipe planeja melhorar a fixação, o aroma e testar a aceitação do creme na pele.
Samara Pereira destaca as vantagens da fórmula natural. “Nosso produto utiliza o cravo-da-ndia, conhecido por suas propriedades repelentes”, diz a jovem cientista. A escolha por um creme, e não um spray, não foi por acaso. A textura facilita a aplicação, aumenta a fixação na pele e ainda ajuda na hidratação. É proteção que também cuida.
Raízes locais, impacto social
Yêgo Gabriel conta que a ideia valorizou os recursos naturais abundantes na região de Presidente Dutra. “A ideia nasceu da necessidade de prevenção, aliada ao aproveitamento desses recursos”, relata o estudante. Eles quiseram valorizar o conhecimento popular e criar uma opção complementar de proteção, especialmente onde o acesso a repelentes comerciais é mais difícil.
A iniciativa integra o projeto “Bahia Faz Ciência”, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que desde 2019 divulga semanalmente trabalhos baianos que melhoram a vida da população. A comunidade escolar abraçou a pesquisa, mostrando como a inovação pode brotar em qualquer lugar, com empatia e um olhar atento para o próximo.
