A endometriose, doença inflamatória crônica que atinge o tecido que reveste o útero, afeta aproximadamente uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no Brasil. Conforme a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva, o diagnóstico costuma ser tardio, levando em média sete anos para ser confirmado. A campanha Abril Amarelo busca justamente ampliar a conscientização sobre os sintomas, que vão de cólicas incapacitantes a dor durante as relações sexuais, e os impactos da doença, que incluem infertilidade.
O que pouca gente sabe é que a dor intensa não é normal. Muitas mulheres convivem anos com o sofrimento, acreditando ser apenas um período menstrual forte. O problema é que, durante esse tempo, a doença pode progredir. Lesões podem se espalhar por órgãos como intestinos e bexiga. A conta chega tarde, e quem paga é a paciente, com sua qualidade de vida e saúde reprodutiva em jogo.
Sintomas vão muito além da cólica menstrual
O quadro clínico é variado e pode ser confundido com outras condições. Os principais sinais de alerta são:
- Cólica menstrual intensa e progressiva
- Dor pélvica crônica fora do período menstrual
- Dor durante ou após a relação sexual
- Sangramento menstrual irregular ou excessivo
- Dificuldade para engravidar
- Fadiga crônica e alterações intestinais durante a menstruação
Segundo o Ministério da Saúde, a investigação deve ser multidisciplinar, envolvendo exames de imagem especializados como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal.
Na prática, o caminho até o diagnóstico é uma maratona. A falta de informação, até entre alguns profissionais de saúde, é uma barreira. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece desde o diagnóstico até o tratamento cirúrgico, quando necessário. Mas eis o ponto: a demora no encaminhamento adequado prolonga o sofrimento. A ficha precisa cair mais rápido, para todos os lados.
Tratamento exige abordagem individualizada
Não existe um protocolo único. O manejo da endometriose depende de fatores como a idade da mulher, a extensão da doença, a intensidade dos sintomas e o desejo de engravidar. As opções vão desde medicamentos hormonais para controlar a progressão e aliviar a dor até procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos para remover os focos da doença. O acompanhamento com ginecologista especializado é fundamental.
O silêncio em torno da dor menstrual alimenta um ciclo de desinformação que adia por anos o alívio e o tratamento adequado para milhões de mulheres. A pergunta que fica é: quantas ainda estão esperando para ter sua dor validada como o sintoma de uma doença real? O Abril Amarelo joga luz sobre essa questão, mas a conscientização precisa ser contínua, rompendo tabus e acelerando o caminho entre o primeiro sintoma e o cuidado efetivo.