Evento marca Dia Mundial da Água com foco em gestão sustentável
A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) destinará R$ 23 milhões para reforçar sua estratégia de segurança hídrica diante dos impactos das mudanças climáticas. O anúncio será feito durante um encontro na terça-feira, 24 de março de 2026, no Parque da Embasa, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. O evento, que celebra o Dia Mundial da Água, reunirá lideranças e técnicos para debater práticas sustentáveis e os desafios para garantir o abastecimento. A iniciativa surge como resposta direta à maior frequência de eventos extremos, como as fortes chuvas que, em fevereiro, causaram interrupções no fornecimento em vários municípios do interior baiano. O cenário recente reforça a necessidade de aprimoramento contínuo da gestão operacional.
Modelagem de barragens e monitoramento em tempo real são prioridades
Dentre os projetos em curso, a Embasa desenvolve a modelagem hidrodinâmica das barragens de Pedra do Cavalo e Joanes II, que abastecem a Região Metropolitana de Salvador. O biólogo Fabrício Tourinho, gerente socioambiental da Embasa, explica que a ferramenta simula cenários para orientar a gestão com maior precisão. O outro eixo da estratégia é a implantação de uma rede de monitoramento hidrometeorológico com cerca de 60 pontos de coleta. Com investimento estimado em R$ 12 milhões, o sistema permitirá o acompanhamento em tempo real de chuva, vazão e nível dos reservatórios. O que pouca gente sabe é que a recorrência de eventos climáticos extremos já expõe os sistemas a riscos operacionais concretos e recorrentes. A reportagem do BahiaBR acompanha há anos a relação entre eventos climáticos e interrupções no abastecimento na Bahia. Em fevereiro, fortes chuvas associadas a uma frente fria provocaram alagamentos em estruturas operacionais e danos em redes de distribuição. Resultado: municípios de diferentes regiões ficaram temporariamente sem água. Para o especialista Fabrício Tourinho, o avanço das mudanças climáticas é hoje o principal desafio para as companhias de saneamento. “Nesse cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, torna-se fundamental o apoio da tecnologia para minimizar os impactos”, destaca o gerente.
Investimentos buscam prevenir problemas e aumentar resiliência
A estratégia da estatal também inclui ações para identificação precoce de alterações nos mananciais, como a eutrofização. Ações de diagnóstico ambiental e recuperação de bacias hidrográficas completam o pacote. O presidente da Embasa, Gildeone Almeida, pontua que o fortalecimento da segurança hídrica é uma prioridade estratégica. O conjunto de investimentos, segundo ele, visa aumentar a resiliência dos sistemas para garantir a continuidade e a qualidade dos serviços. Na prática, quem paga a conta é o morador quando a torneira fica seca, e esses R$ 23 milhões são uma tentativa de blindar o abastecimento contra um clima cada vez mais imprevisível. As iniciativas estão alinhadas ao Marco Legal do Saneamento (Lei nº 11.445/2007) e à Política Nacional de Recursos Hídricos. A Embasa planeja ampliar progressivamente as ações para toda a sua área de atuação no estado. O fato é que a história se repete com as interrupções por chuvas, mas a empresa agora aposta em dados e tecnologia para tentar quebrar esse ciclo. A conta é simples: sem antecipação, o prejuízo operacional e o desconforto da população só tendem a aumentar. O evento desta terça-feira no Rio Vermelho é o pontapé público de uma corrida contra o tempo e o clima.