A Polícia Civil da Bahia prendeu, nesta sexta-feira (13 de março de 2026), dois homens suspeitos de envolvimento no latrocínio de um guarda civil municipal ocorrido há quase cinco anos em Senhor do Bonfim, no norte do estado. Os indivíduos, de 25 e 28 anos, foram capturados em cumprimento a mandados de prisão temporária expedidos pela Vara Criminal da Comarca local. A operação contou com equipes da Delegacia Territorial de Senhor do Bonfim e do Grupo de Apoio Técnico e Tático à Investigação (GATTI/Centro-Norte), marcando um avanço em um caso que permanecia sem solução desde junho de 2021. Após a prisão, os suspeitos passaram por exame de corpo de delito e foram encaminhados ao Conjunto Penal de Juazeiro, onde aguardam os próximos passos do processo judicial.
O que aconteceu na noite do crime?
Na tarde do dia 13 de junho de 2021, o cenário de violência se desenhou no loteamento Águas Claras. O guarda Milton Manoel Ribeiro chegava de motocicleta à sua residência quando foi surpreendido por uma tentativa de roubo. A reação da vítima transformou o assalto em tragédia. Ribeiro foi atingido por múltiplos golpes de arma branca. Os agressores fugiram com a motocicleta, que foi recuperada posteriormente pela polícia. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu o guarda, mas os esforços na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Senhor do Bonfim não foram suficientes. Milton Manoel Ribeiro não resistiu aos ferimentos. A história se repete em cidades do interior, onde a sensação de impunidade após um crime violento pode perdurar por anos.
Como a investigação chegou aos suspeitos?
Foram 1.734 dias entre o crime e as prisões. A reportagem do BahiaBR apurou que as investigações da Delegacia Territorial de Senhor do Bonfim permaneciam ativas, com perícias e coletas de depoimentos sendo revisadas periodicamente. O fato é que novas informações técnicas e testemunhais, processadas com apoio do GATTI, permitiram à Polícia Civil identificar a suposta participação dos dois homens agora detidos. O delegado titular da unidade, em ofício encaminhado ao Poder Judiciário, fundamentou o pedido dos mandados com base nestas novas evidências. A Justiça acatou. O resultado: uma operação silenciosa, mas eficaz, que localizou e prendeu os dois investigados na manhã de sexta-feira.
Traduzindo: a persistência das equipes investigativas foi crucial. O caso, que poderia esfriar nos arquivos, seguiu sendo trabalhado. A perícia no veículo recuperado e a análise de registros de comunicação foram pontos-chave, conforme detalhou um agente do GATTI que acompanhou as diligências. Para a família da vítima e para a corporação da Guarda Civil Municipal, a demora na elucidação foi um longo período de angústia.
E a pergunta que fica: qual o impacto processual? Os suspeitos responderão pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte), previsto no artigo 157, §3º, do Código Penal, com pena que pode variar de 20 a 30 anos de reclusão, além de regime inicial fechado. A defesa deles ainda não se manifestou publicamente. O Ministério Público da Bahia (MP-BA), que oferecerá a denúncia, deve analisar o inquérito policial reforçado pelas novas provas. O caminho até um eventual julgamento ainda é longo, mas a prisão temporária, de 5 dias prorrogáveis por mais 5, é o primeiro passo formal para tentar levar os acusados ao banco dos réus.
O fechamento deste capítulo investigativo em Senhor do Bonfim reacende o debate sobre a segurança de servidores públicos municipais, especialmente aqueles que não estão em horário de serviço. Milton Manoel Ribeiro foi vítima no momento em que chegava em casa. A conta da violência urbana desmedida, frequentemente, é paga por quem já dedica a vida à segurança alheia. A Corporação da Guarda Civil Municipal de Senhor do Bonfim declarou, em nota, esperar que a Justiça seja feita e que o caso sirva para inibir crimes contra agentes. Enquanto isso, no Conjunto Penal de Juazeiro, dois homens aguardam o desfecho de uma história que, em 2021, terminou em luto para uma família e para uma cidade inteira.
