Corretora suspeita de desvios de R$ 2,5 milhões é detida no bairro Muchila

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Corretora suspeita de desvios de R$ 2,5 milhões é detida no bairro Muchila

Lúcia L.F
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celulares, maquinas de cartão, cheques e chaves apreendidos pela polícia.Fonte/Crédito: Divulgação: Ascom-PCBA

O bloqueio de ativos financeiros e a retirada de circulação de uma operadora do mercado imobiliário em Feira de Santana marcam uma ofensiva contundente contra o estelionato na Bahia. A custódia preventiva de uma mulher de 52 anos, efetivada no último sábado (3), não apenas interrompe um ciclo de prejuízos que já soma R$ 2,5 milhões, como também protege o mercado de transações rurais e urbanas de agentes infiltrados. Para o cidadão, a ação reafirma a necessidade de rigor técnico e validação documental em qualquer aporte financeiro destinado à compra de imóveis.

Engenharia financeira e o colapso da Operação Arizona

A investigação, batizada de Operação Arizona, expôs a sofisticação técnica utilizada para ludibriar compradores. O foco central da 1ª Delegacia Territorial recai sobre a comercialização fraudulenta de uma propriedade rural, cujo valor de mercado atinge a cifra de R$ 1,5 milhão. Não se trata de um fato isolado, mas de um padrão de conduta que se ramifica por outras frentes de apuração.

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), monitora outros dois inquéritos que apontam um passivo adicional de R$ 1 milhão. O método envolvia a simulação de legalidade em transações que, na prática, visavam apenas o desvio de recursos das vítimas. O volume de bens apreendidos — incluindo cheques, máquinas de cartão e chaves — sugere uma estrutura operacional ativa e pronta para novas capturas de valores.

Conexões e o fluxo do capital ilícito

Um ponto técnico de alta relevância nesta fase da investigação é o destino dos valores subtraídos. Os investigadores identificaram que o capital circulava por contas de uma pessoa jurídica vinculada a uma contadora. Esta última já havia sido detida em dezembro de 2025, o que indica que a polícia está desestruturando uma célula de lavagem de dinheiro que oferecia suporte ao estelionato imobiliário.

A integração entre o Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC) e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) demonstra que a segurança pública estadual trata o crime financeiro com a mesma prioridade das infrações violentas. A união de esforços permitiu o cumprimento do mandado no bairro Muchila de forma precisa, evitando possíveis fugas ou destruição de provas.

Alerta para o mercado imobiliário em Salvador e Região Metropolitana

O impacto deste caso em Feira de Santana reverbera diretamente em Salvador e Lauro de Freitas. Por serem centros com alta liquidez imobiliária e grande volume de lançamentos, essas cidades atraem o mesmo perfil de organizações criminosas. O “modus operandi” detectado na Operação Arizona serve de aviso técnico para os cartórios e conselhos de classe da capital.

É imperativo que compradores em solo baiano exijam a Certidão Negativa de Ônus e confirmem a regularidade do corretor junto ao CRECI. A fraude em imóveis rurais, como a vista neste caso, é particularmente perigosa pela complexidade das cadeias sucessórias de terras no interior do estado. A vigilância deve ser redobrada em transações que prometem facilidades excessivas ou valores abaixo da avaliação de mercado.

Evidências coletadas e próximos passos judiciais

Abaixo, os itens confiscados que comporão o corpo de provas durante a instrução processual:

  • Comunicação: Sete terminais móveis (celulares) para perícia telemática.

  • Operacional: Duas máquinas de transação de crédito e débito.

  • Financeiro: Diversas cártulas de cheque e contas bancárias bloqueadas por ordem judicial.

  • Logística: Chaves de diversos imóveis que serão rastreados pela polícia.

A suspeita agora permanece sob custódia, aguardando as deliberações do Poder Judiciário. As oitivas programadas para os próximos dias devem revelar se existem outros profissionais do setor envolvidos ou se o esquema possuía ramificações em outras praças do Nordeste. A Polícia Civil mantém o canal aberto para que outras possíveis vítimas se apresentem e formalizem as queixas, consolidando o volume total do prejuízo causado.

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