✦ Resumo

O Inema multou a Gerdau em R$ 50 milhões por contaminação na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador. A siderúrgica nega o pagamento, atribuindo a responsabilidade à compradora da área, a Intermarítima.

Trabalhador do inema na praia de São Tomé de Paripe
Foto: Matheus Lemos/Inema/Divulgação

A Gerdau foi apontada como responsável pela contaminação por compostos químicos em águas e sedimentos da praia de São Tomé de Paripe, no subúrbio ferroviário de Salvador. A alegação partiu do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), que multou a siderúrgica em R$ 50 milhões em meados de junho. O órgão, vinculado ao governo da Bahia, sustenta que a empresa realizou intervenções para atenuar os danos sem autorização prévia.

Uma decisão unilateral da Gerdau. Segundo o Inema, a pressa teria relação com a transferência de ativos para a Intermarítima Portos e Logística S.A., sucessora da área. A autarquia aponta que a siderúrgica agiu por conta própria, tentando acelerar o negócio. Resultado: a multa milionária e o passivo ambiental agora estão no centro de uma disputa judicial.

Defesa da Gerdau recusa pagamento e aponta compradora

A gigante do aço já se manifestou. O Radar teve acesso à contranotificação da Gerdau, onde a empresa se recusa a pagar a indenização. No documento, a defesa reconhece a existência de uma contaminação histórica por cobre no solo, na água subterrânea e em sedimentos locais. Só que a responsabilidade, segundo a siderúrgica, é da compradora.

A Intermarítima teria ciência do problema antes de assinar o negócio. A Gerdau argumenta que a compradora recebeu os resultados de um laudo ambiental elaborado pela consultoria Arcadis em fevereiro de 2021. Além disso, a Intermarítima assinou, em 2022, um termo de encerramento da transação ciente de um auto de infração anterior do Inema que já tratava da presença de cobre na área.

Quem paga a conta é o morador

Sem garantias de pagamento da multa, a única certeza hoje está nos laudos do Inema. Os documentos identificaram cobre dissolvido, nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal. A alta concentração desses químicos, atestada pelos laboratórios, já causou a morte de incontáveis vidas marinhas na região.

A ficha caiu tarde para quem depende do mar na região. Enquanto as empresas brigam nos tribunais, quem paga a conta é o morador de São Tomé de Paripe — e o ecossistema local. Na prática, a contaminação já é um fato consumado, e a recuperação da área pode levar anos.

Disputa judicial à vista

Indícios apontam que a briga entre Gerdau e Intermarítima deve parar nos tribunais. A siderúrgica sustenta que a compradora assumiu o passivo. Já o Inema cobra a multa e exige a reparação dos danos. Traduzindo: o bicho pegou para quem esperava uma solução rápida.

O Ministério Público agora analisa o caso. A população de São Tomé de Paripe aguarda respostas. Enquanto isso, os laudos do Inema seguem como a única prova concreta de que a praia está contaminada — e que a vida marinha já sentiu os efeitos.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.