O projeto Circula Cena chega ao fim nesta sexta-feira (29) com duas apresentações gratuitas em Salvador e Jacobina. A iniciativa da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), em cooperação com o Sesc-Bahia e parceria da Secretaria de Educação (SEC), levou teatro a seis municípios baianos ao longo de quase dois meses.
Em Salvador, o público confere “Pariré”, da Cia Operakata de Teatro, no Teatro Sesc-Senac Pelourinho, a partir das 19h30. A montagem conta a história de duas mulheres: uma senhora que é mais uma mãe e será mais uma avó; e uma moça que é mais uma filha e será mais uma mãe. Ambas se constituem pelo desejo do futuro do filho e neto. A direção é de Gilsergio Botelho, com Kecia Prado e Ricardo Fraga no elenco. A companhia, de Vitória da Conquista, ganhou o Prêmio Braskem de Teatro 2016 na categoria Melhor Espetáculo do Interior com essa obra.
Já em Jacobina, o Grupo Teca Teatro apresenta “O Poderoso de Marte” no Teatro Sesc Jacobina, em duas sessões, às 9h30 e 15h30. A peça mostra o encontro do palhaço andarilho Piolhinho com a soldada Atenas em um mundo devastado pela guerra. “Se um palhaço e uma soldada não conseguem conversar e chegar a um acordo, imagina nações brigando?”, diz o palhaço em uma passagem. A direção é de Osvaldo Rosa, com texto de Tom S. Figueiredo. Entre humor e crítica, a peça reflete sobre poder, violência e a urgência da convivência entre os diferentes.
Atividades formativas encerram programação
No sábado (30), pela manhã, os interessados podem se inscrever no próprio local para duas atividades formativas. Em Salvador, acontece o workshop sobre cenografia cênica, das 9h às 13h. Em Jacobina, a oficina Escrita Criativa ocorre às 9h. As vagas são limitadas e a participação é gratuita.
O impacto do projeto foi significativo. Segundo dados do Sesc Bahia, cerca de cinco mil pessoas foram impactadas pelo Circula Cena, entre estudantes da rede pública, trabalhadores do comércio, artistas, educadores e comunidades locais. Ao longo da temporada, foram 20 apresentações teatrais e dezenas de atividades formativas, workshop e oficinas, passando por unidades do Sesc em Feira de Santana, Alagoinhas, Jacobina, Santo Antônio de Jesus, Porto Seguro e Salvador.
O projeto contou com investimento de R$ 520 mil. Resultado: criado para fortalecer a cadeia produtiva do teatro baiano, ampliar o acesso da população às artes cênicas e incentivar a formação de plateia em diferentes territórios do estado. A temporada chega ao fim reforçando a descentralização cultural.
Espetáculos que marcaram a temporada
Entre as montagens que circularam pelo projeto estavam:
- “Se Acaso Você Chegasse”
- “O Sapato do Meu Tio”
- “Isto Não é Uma Mulata”
- “Namíbia, Não!”
- “Borépetei – Uno”
- “Metamorfose” (teatro de bonecos)
- “Gota D’Água”
- “Histórias do Mundão”
- “Pariré”
Cada espetáculo, a seu jeito, levou ao público temas ligados à identidade, memória, ancestralidade, racismo, direitos sociais e cultura popular. A iniciativa confirma o Circula Cena como uma das principais ações de difusão das artes cênicas no estado.