Como o centro de oncologia mantém serviços durante reforma milionária
O Centro Estadual de Oncologia (Cican), em Salvador, conseguiu ampliar em 10 mil o número total de atendimentos enquanto avança com as obras de reestruturação de sua sede. A unidade, que já completou 50% das intervenções físicas, registrou crescimento na produção de consultas, quimioterapias e cirurgias no período das obras, mantendo a assistência sem interrupção. A reportagem do BahiaBR confirmou, com dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), que o investimento total supera R$ 31 milhões e inclui a chegada do primeiro equipamento de PET-CT da rede pública baiana.
Números mostram aumento real durante as intervenções
Foram 44.453 procedimentos realizados no Cican durante as obras. O detalhe que muda tudo: esse volume representa um aumento expressivo em relação ao período anterior. Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, a unidade realizava 19.500 consultas médicas e 3.531 sessões de quimioterapia. Agora, os números saltaram para 25.210 consultas e 5.287 quimioterapias. A produção cirúrgica, por sua vez, chegou a 2.926 procedimentos. “A orientação da secretária da Saúde, reforçada pelo governador Jerônimo Rodrigues, foi clara: não interromper o atendimento nem gerar qualquer prejuízo à população”, afirmou o diretor do Cican, Theofânio Neto, em entrevista exclusiva ao BahiaBR. O fato é que a equipe manteve o funcionamento de setores críticos mesmo com canteiros de obra ativos no local. A expectativa é de realização de cerca de 210 exames mensais de PET-CT e 430 exames de ressonância magnética, ampliando significativamente o acesso ao diagnóstico precoce.
O que muda com a nova estrutura e o PET-CT
Pra se ter ideia da dimensão, o projeto vai além do cimento. O aporte de mais de R$ 31 milhões do Governo do Estado financia a compra de equipamentos de alta complexidade, como uma ressonância magnética própria e o tomógrafo por emissão de pósitrons integrado à tomografia computadorizada (PET-CT). Esta última tecnologia, inédita no Sistema Único de Saúde (SUS) baiano, permite identificar tumores com precisão anatômica e metabólica em um único exame.
A estrutura física também será transformada. O cronograma de obras prevê a implantação de um hospital-dia, a expansão do centro cirúrgico para quatro salas e a criação de novos serviços, como colonoscopia e endoscopia. A unidade ganhará ainda uma nova Central de Material Esterilizado (CME), recepção ampliada e dois elevadores. Ao todo, mais de 14 milhões de baianos devem ser beneficiados, direta ou indiretamente, com a modernização do principal centro de referência em oncologia do estado. Quem paga a conta é o morador que depende do SUS, e a promessa de redução no tempo para diagnóstico de câncer agora tem data para sair do papel. O BahiaBR acompanha a política de saúde na Bahia há mais de uma década e verifica que investimentos desta magnitude na área oncológica são historicamente raros. O diretor Theofânio Neto garante que o compromisso com a continuidade foi inegociável desde o primeiro dia de planejamento das obras. A unidade, que já atendeu 11.500 pacientes no ano anterior às intervenções, se prepara para dobrar sua capacidade resolutiva. A história se repete em outros hospitais estaduais, onde reformas paralisam serviços por meses. Dito isso, o caso do Cican parece escrever um capítulo diferente. O ritmo das obras e a manutenção dos atendimentos serão monitorados de perto pela sociedade. A pergunta que fica: a nova capacidade instalada virá acompanhada de concurso público para médicos e técnicos? A Sesab não detalhou esse ponto. Enquanto a reforma física segue, a equipe atual segurou a bronca. O resultado aparece nos números, mas o desafio de manter a qualidade com a estrutura ampliada está só começando.