Servidores públicos estaduais já arrecadaram 967 quilos de tampas plásticas para o projeto Castrampinha, que converte a venda do material reciclável em cirurgias de castração para cães e gatos de rua. A entrega mais recente, de 80 quilos, foi realizada nesta terça-feira (24/03/2026) no ponto de coleta do Salvador Shopping pela Superintendência de Patrimônio da Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb). O objetivo é reduzir a superpopulação animal e promover o descarte responsável.
O projeto, que surgiu há seis anos, já viabilizou a castração de 1,5 mil animais. A conta é precisa: a cada 100 quilos de tampinhas arrecadadas, em média, um procedimento é custeado. Na prática, a mobilização dentro do Centro Administrativo da Bahia (CAB) transforma um resíduo comum em política pública de saúde animal e ambiental. Vanuza Gazar dos Reis, coordenadora do programa Recicle Já Bahia da Saeb, elogia a iniciativa. “É uma referência para outros municípios”, afirma.
Como funciona a corrente de doações no serviço público
Na Saeb, a colaboração começou em 2022. De lá para cá, ganhou adesão espontânea. Servidores de outras pastas, como as secretarias da Saúde e da Justiça e Direitos Humanos e a Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), também passaram a armazenar tampinhas em suas salas. O material segue para um container no subsolo do prédio da Saeb. Mensalmente, vai para o Horto da Superintendência de Patrimônio, onde é triado, pesado e, por fim, enviado ao Castrampinha.
É um ciclo que depende de gestos simples. “Uma colaboração que pode ser feita por qualquer pessoa”, ressalta Vanuza. A bióloga Luciana Facciola, voluntária desde a criação do projeto, vê o impacto se multiplicar. “O trabalho gera efeito no controle populacional dos animais e também no destino final do lixo da cidade”, argumenta. Até agora, 70 toneladas de tampinhas já foram convertidas em benefício.
Dois problemas, uma solução: meio ambiente e bem-estar animal
A ficha caiu. O que era visto como lixo virou moeda de troca para uma causa urgente. A cada tampinha descartada no lugar certo, diminui a poluição plástica e aumenta a chance de um animal de rua não se reproduzir sem controle, evitando sofrimento e abandono. O Castrampinha opera nessa intersecção. A conta chegou para a sociedade, e a resposta está na mobilização.
Para quem quer contribuir, a rede de coleta está aberta. Informações sobre pontos de entrega e formas de apoio podem ser obtidas diretamente pelo perfil @Castrampinha no Instagram. A meta é clara: ampliar o alcance. Enquanto isso, os 967 quilos doados pelo funcionalismo estadual já têm destino garantido. Vão virar cirurgias. Vão virar cuidado. E vão provar que, às vezes, a solução está nas mãos de todos – ou, neste caso, nas tampinhas de todos.