✦ Resumo

A ANAC abriu consulta pública para definir critérios de ruído do eVTOL Eve 100, da Eve/Embraer, cujo som a 150 metros equivale a um sussurro, marco para certificação e operação comercial prevista para esta década.

Modelo de veículo elétrico de decolagem e pouso vertical Eve 100 em voo sobre área urbana.
Foto: Anac/Divulgação

A regulamentação dos “carros voadores” deu um passo decisivo. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) colocou em consulta pública, até o próximo dia 8, os critérios técnicos para testes e parâmetros de ruído do Eve 100, modelo de veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL) desenvolvido pela Eve/Embraer. O som emitido pela aeronave a 150 metros do chão, em condições ideais de voo, deve chegar aos usuários a cerca de 15 decibéis. Isso equivale a um sussurro.

O documento é o primeiro do tipo para eVTOLs no Brasil. A certificação ambiental é um pré-requisito para a liberação comercial das primeiras viagens, previstas para ainda nesta década. Quem paga a conta é o morador das grandes cidades, que pode ganhar uma alternativa ao trânsito. Só que o silêncio prometido pelo projeto é um dos trunfos para a aceitação urbana.

Marco na certificação do eVTOL

O CEO da Eve, Johann Bordais, celebrou o avanço. “A publicação da ANAC da proposta dos critérios de ruído é um marco importante no desenvolvimento e na certificação do Eve 100”, afirmou. Ele destacou a “abordagem colaborativa” da agência na criação de uma estrutura adaptada a essa tecnologia emergente. Na prática, a iniciativa busca alinhar a regulação brasileira com padrões internacionais.

O Eve 100 é um eVTOL com capacidade para até seis passageiros. Diferente de helicópteros, ele usa motores elétricos distribuídos, o que reduz drasticamente o ruído. O fato é que o baixo volume sonoro é um dos principais argumentos para viabilizar operações em áreas densamente povoadas, como centros urbanos.

Investimento e mercado: 30 aeronaves para Cabo Verde

Apesar de ainda estar em desenvolvimento, o equipamento já atrai investidores. No dia 19, a Eve anunciou a assinatura de um acordo de intenção de compra de 30 aeronaves elétricas com a empresa Moov. O negócio é voltado para o atendimento da indústria do turismo e da mobilidade regional em Cabo Verde. Traduzindo: o mercado já aposta na viabilidade do projeto.

O apelo ambiental também pesa. A matriz energética elétrica promete transporte com zero emissões diretas de carbono. Para a Bahia, estado com forte potencial turístico e urbano, a chegada desse tipo de veículo pode representar uma nova fronteira logística. A ficha caiu tarde para quem duvidava: a mobilidade aérea urbana saiu do papel e está mais perto do que se imagina.

O resultado da consulta pública definirá os limites finais de ruído para a certificação. Empresas do setor, como a Eve, já se preparam para os próximos passos. A previsão é que os primeiros voos comerciais comecem antes de 2030, conectando aeroportos, bairros e regiões metropolitanas.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.