O Dia do Cacau, celebrado nesta quinta-feira, 26 de março, reafirma a posição da Bahia como maior produtor nacional, responsável por cerca de 60% do cacau do país. A data coincide com a expansão do programa Cacau+, que após impulsionar a produção em mais de 50% no Baixo Sul, será ampliado para outros territórios baianos a partir de 2026. A iniciativa, executada em parceria entre o Consórcio Intermunicipal do Mosaico das APAs do Baixo Sul e o Governo do Estado, através da CAR e da Bahiater, fortalece a agricultura familiar, que responde por aproximadamente 80% dos estabelecimentos produtores no estado.
Os números do ciclo anterior, encerrado em 2025, são concretos. Foram 2.400 famílias agricultoras atendidas. A produtividade média das lavouras praticamente dobrou. Esse salto é resultado direto de assistência técnica, recuperação de áreas e adoção de novas tecnologias no campo. Jeandro Ribeiro, diretor-presidente da CAR, aponta o caminho: “O Cacau+ mostra que, quando assistência técnica, investimento e organização territorial caminham juntos, o resultado aparece diretamente na renda das famílias”.
Na prática, quem sente a diferença é o agricultor. Jocivaldo Conceição, um dos beneficiários, relata que o conhecimento mudou sua lavoura. “Aprendemos muita coisa que a gente não conhecia, como o controle de pragas e doenças”. O presidente do Consórcio, Leonardo Cardoso, vai além: o programa se tornou uma referência em modelo de atuação, com impacto direto na economia dos municípios envolvidos.
Novo ciclo do programa mira produtividade recorde
Para 2026, o Cacau+ entra em um Ciclo II mais ambicioso, dividido em duas frentes. A etapa Cacau+ Produtividade vai atender 2.600 famílias com uma meta ousada: elevar a produtividade média para 80 arrobas por hectare. Já a fase Cacau+ Sustentabilidade focará em 800 famílias que já têm produção consolidada, trabalhando a qualidade das amêndoas com técnicas de fermentação e secagem, além de expandir sistemas agroflorestais. No total, serão 3.400 famílias incluídas nesta nova etapa.
O governo estadual não para por aí. Paralelamente, prepara o lançamento do edital CAR Cacau e Chocolate da Bahia. A iniciativa vai articular investimentos em pós-colheita, crédito e agroindustrialização. Esse movimento já dá frutos visíveis no mercado, com marcas da agricultura familiar como Bahia Cacau, Natucoa e Terra Vista ganhando espaço pelo valor agregado e qualidade.
Lei federal deve aquecer ainda mais o mercado baiano
E o cenário para o cacau baiano pode ficar ainda mais favorável. A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 1.769/2019, que estabelece novos padrões para o chocolate no Brasil. A regra define um mínimo de 35% de sólidos de cacau no chocolate tradicional e exibe essa informação na frente da embalagem. A medida tende a corrigir uma distorção histórica e, no fim das contas, ampliar a demanda por massa de cacau nacional, com a Bahia em posição privilegiada para fornecer.
O que se vê é um setor em movimento. Da porteira para dentro, com produtividade disparando. Da porteira para fora, com marcas se consolidando e uma legislação que pode valorizar ainda mais o produto de origem. A conta, dessa vez, parece fechar a favor do produtor.