Em resumo
  • Brasil permanece fora do Mapa da Fome, com menos de 2,5% da população subnutrida no triênio 2023-2025, segundo relatório SOFI 2026 da FAO.
  • Insegurança alimentar severa atinge 0,6% da população (1,2 milhão de pessoas), menor patamar da série histórica.
  • Custo da alimentação saudável caiu, mas 44,8 milhões de pessoas ainda não podem pagar por uma dieta saudável.
Gráfico do relatório SOFI 2026 indica que Brasil está fora do Mapa da Fome, com menos de 2,5% de subnutrição.
©️FAO/Giuseppe Carotenuto

O Brasil permanece fora do Mapa da Fome, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026 (SOFI). De acordo com o mapa interativo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU), no triênio 2023-2025, o país manteve a proporção de população subnutrida abaixo do limite de 2,5%, percentual máximo adotado pela FAO como parâmetro para considerar que um país está fora do Mapa da Fome.

Em 2025, pela segunda vez, o país conseguiu sair do Mapa da Fome (com base nos dados do triênio 2022-2024 do relatório SOFI). A primeira vez foi em 2013. Os dados do SOFI 2026 foram divulgados nessa terça-feira (21), na sede da FAO, em Roma, durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização.

Em discurso na sessão, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, comentou o resultado brasileiro. “Esses resultados nos lembram que a fome não é inevitável. Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos”, disse.

O fundador do Instituto Fome Zero (IFZ) e ex-diretor-geral da FAO (de 2012 a 2019), José Graziano da Silva, também comemorou o avanço. “O relatório da FAO traz muito boas notícias para o Brasil. Pelo indicador utilizado, de prevalência da subalimentação, nós temos menos de 2,5% da população [passando fome]”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Insegurança alimentar severa e moderada

O relatório mundial apontou que o percentual de insegurança alimentar severa no Brasil segue uma trajetória de queda. Segundo os dados, 0,6% da população, ou 1,2 milhão de pessoas, estão nesta condição, o menor patamar da série histórica. Graziano alertou que, apesar dos avanços, o país precisa agir: “Mais de 1 milhão de pessoas ainda têm uma insegurança alimentar severa no Brasil, segundo os próprios dados do relatório. É muita gente”.

Quando considerada a prevalência da insegurança alimentar moderada ou grave na população total do Brasil, o registro é de 9,6% (2023-2025), cerca de 20,3 milhões de pessoas. Nos três triênios anteriores, a prevalência foi de 22,1% (2020-2022); 18,4% (2021-2023); e 13,3% (2022-2024).

Custo da alimentação saudável

A proporção de pessoas que não podem pagar por uma alimentação saudável também apresentou queda no Brasil, ficando em 21,1% da população em 2025, o que equivale a 44,8 milhões de pessoas. Em 2021, a maior proporção da série histórica foi registrada: 31,1% (65,3 milhões de pessoas). Os números revelam que 20,5 milhões de pessoas passaram a ter condições de bancar uma dieta saudável.

O custo da dieta saudável no Brasil foi de US$ PPC 4,89 (dólares em Paridade do Poder de Compra) por pessoa ao dia, em 2025, custo mais alto que o registrado em 2024 (US$ PPC 4,69). A média brasileira ficou abaixo do custo da América do Sul (US$ 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ 4,91).

Indicadores de alerta no Brasil

O relatório destaca globalmente que os avanços na nutrição de mães e crianças são lentos. No Brasil, os principais indicadores de alerta, com base nos dados mais recentes, são:

  • 8,7% dos bebês (200 mil) registraram baixo peso ao nascer, em 2020;
  • Aleitamento materno exclusivo: 45,8% dos lactentes (cerca de 600 mil bebês de até 5 meses), em 2024;
  • Desnutrição infantil grave: 3,4% das crianças menores de 5 anos (cerca de 500 mil), em 2024;
  • Atraso no crescimento: 8,9% das crianças de até 5 anos (1,2 milhão), em 2024;
  • Excesso de peso em crianças: 10,9% (1,4 milhão) com menos de 5 anos, em 2024;
  • Obesidade adulta: 30,1% da população maior de 18 anos (48,7 milhões), em 2024;
  • Anemia em mulheres: prevalência de 21,3% (11,9 milhões de mulheres de 15 a 49 anos), em 2023.

Fome mundial

Na avaliação global, a proporção da população mundial em situação de fome diminuiu pelo terceiro ano consecutivo. O relatório estima que cerca de 645 milhões de pessoas sofreram com fome em 2025, uma redução de quase 14 milhões em comparação com 2024 e de 43 milhões em relação a 2022. A edição de 2026 calcula que 8,6% da população mundial sofreu de fome em 2022, percentual que caiu para 8,1% em 2024 e 7,8% em 2025.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.