O Brasil está sujeito a uma tarifa adicional de 25% e a uma sobretaxa de 12,5% impostas pelo governo dos Estados Unidos, medidas que o governo brasileiro classifica como discriminatórias e incompatíveis com as regras internacionais de comércio. A avaliação foi reafirmada em reunião virtual realizada no início da tarde de segunda-feira (31) com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
A posição brasileira foi apresentada pelos ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Segundo nota conjunta das duas pastas, as justificativas apresentadas pelo governo americano nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil.
A tarifa adicional de 25% foi baseada em investigação do USTR, o Escritório do Representante Comercial dos EUA, sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, incluindo o sistema de pagamentos Pix e o acesso ao mercado de etanol. Já a sobretaxa de 12,5% foi justificada por questões de combate ao trabalho forçado. O governo brasileiro rejeita os argumentos e considera a medida injustificada.
Negociações continuam com reuniões técnicas
Apesar do impasse, os dois países decidiram manter as negociações. Reuniões técnicas serão realizadas nas próximas semanas, em formato virtual ou presencial, e um novo encontro ministerial está previsto para avaliar os avanços. O governo brasileiro afirmou que continuará buscando um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os Estados Unidos.
A retomada das conversas ocorre após um telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano, Donald Trump, em 21 de agosto. Na ocasião, Lula contestou as tarifas e Trump propôs a retomada das negociações.
O embate comercial entre os dois países ocorre em meio à crescente competição econômica entre EUA e China pela influência na América Latina.