Um acervo que reflete o rosto da comunidade
As crianças da Escola Municipal do Quingoma, em Lauro de Freitas, voltarão às aulas em 2026 com uma surpresa que já é delas. Uma sala ganhou cores, almofadas e, principalmente, histórias. Cerca de 80 livros que contam a trajetória da população negra, falam de quilombos, ancestralidade e heróis como Nelson Mandela agora formam a primeira Biblioteca Antirracista do município. O espaço é novo, mas a semente foi plantada há muito tempo.
O reconhecimento veio de um trabalho que não para
A diretora Fernanda Sales conta que a escola já era referência. O projeto pedagógico da unidade sempre girou em torno do enfrentamento ao racismo, longe de ser uma atividade de datas especiais. “É prática permanente”, ela define. Conforme o relato enviado ao portal, essa constância mudou o dia a dia: autoestima das crianças fortalecida, identidades respeitadas, cultura local valorizada. As redes sociais da escola viraram vitrine desse fazer pedagógico. Foi assim que a Justiça do Trabalho viu, se encantou e fez uma doação espontânea dos livros e do mobiliário.
Ganhar a biblioteca, para Fernanda, é a materialização de uma história. “Mais do que um sonho”, afirma.
O território quilombola dita a identidade da escola
A coordenadora pedagógica Patrícia Alves não vê apenas um cantinho de leitura. Ela enxerga a consolidação de um esforço coletivo. “Uma escola só funciona quando o grupo funciona junto”, diz. Para ela, estar em um território quilombola e ignorar essa identidade seria apagar a memória do próprio lugar. A biblioteca chega como um marco nessa caminhada, um instrumento concreto de afirmação.
A parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e a Justiça do Trabalho transformou uma sala. Reorganizou o ambiente. Mas, acima de tudo, validou a voz de uma comunidade que há tempos escreve, no seu cotidiano, as páginas de uma educação mais justa.
