✦ Resumo

Governo da Bahia inaugura 35 cozinhas comunitárias em Salvador, com meta de distribuir 1.200 refeições semanais para populações vulneráveis.

Bahia Sem Fome inauguração e assinatura de termo de colaboração
Foto: Ana Cardoso

O Governo da Bahia inaugurou a Cozinha Solidária Rainha das Águas Maria Anita de Carvalho, no bairro do Calabar, no último sábado (11), ampliando para 25 o número de unidades abertas em Salvador dentro do projeto Comida no Prato. A meta é implantar 35 cozinhas comunitárias e solidárias na capital, gerenciadas por sete organizações selecionadas via edital, para distribuir refeições gratuitas por 12 meses à população em situação de vulnerabilidade. As novas inaugurações devem continuar ao longo de abril, fortalecendo a rede de combate à fome nos territórios mais necessitados.

As Unidades Gerenciadoras são responsáveis por articular e gerir cinco cozinhas cada, espalhadas por pontos estratégicos. A unidade do Calabar, por exemplo, é coordenada pelo Instituto Kemet em parceria com o terreiro Ungunzo Kessimbi Amaze, liderado por Mametto Alana Carvalho. Mosar Santos, coordenador executivo do instituto, explicou a expansão. “Em 2024, a gente tinha apenas um ponto de cozinha. Agora, com o novo edital, passamos a gerenciar cinco cozinhas em Salvador, em territórios estratégicos da cidade”.

Capacitação e inclusão social vão além do prato de comida

Segundo Mosar Santos, que também preside o Conselho de Segurança Alimentar de Salvador, cada conjunto de cinco cozinhas pode produzir e distribuir até 1.200 refeições, três vezes por semana. A iniciativa, no entanto, não se limita à alimentação. O objetivo é transformar os espaços em cozinhas-escola. “A comida é só o ponto de partida. Nossa meta é transformar essas cozinhas em cozinhas-escola, onde essas pessoas possam se capacitar e acessar outras políticas públicas”, afirmou. O foco do trabalho está em grupos como mulheres negras, mães solo e a população LGBTQIAPN+.

Quem sente o efeito prático é gente como Rosilene Neves, moradora de Castelo Branco e mãe de três filhos. Desempregada, ela recebe as refeições há mais de um mês. “Ajuda muito, principalmente no final do mês, quando a gente passa mais aperto. Eu estou recebendo há mais de um mês, três vezes na semana, e faz diferença dentro de casa”, relatou. A história se repite em outros lares, onde a insegurança alimentar é uma realidade diária.

Salvador concentra maior investimento estadual no combate à fome

De acordo com o coordenador-geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome, Tiago Pereira, a capital recebe a maior parte dos recursos. “As organizações de Salvador são as que recebem o maior investimento e o maior número de cozinhas em todo o estado. Isso reflete o tamanho do desafio que temos na capital e o compromisso do Governo da Bahia em enfrentá-lo com prioridade”, destacou. O programa estadual também contempla outros municípios, mas a escala em Salvador é singular.

As cozinhas do Instituto Kemet, por exemplo, estão localizadas no Santo Antônio Além do Carmo, Calabar, Itapuã, Fazenda Grande IV e na região da Rótula do Abacaxi. A estratégia espalha pontos de apoio onde a necessidade é mais aguda, criando uma rede que mistura refeição, capacitação e fortalecimento comunitário. A aquisição de alimentos da agricultura familiar ainda movimenta a economia local, fechando um ciclo que vai do produtor ao prato de quem mais precisa.

E tem mais: a conta chegou para a sociedade, mas a resposta tenta ser estruturante. O programa Bahia Sem Fome, através da Coordenação Geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome, aposta na integração entre governo e organizações da sociedade civil. O que significa que, após este mês de inaugurações, a pergunta que fica é se a rede conseguirá sustentar o impacto prometido e se tornará, de fato, uma política permanente de inclusão.

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Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.