O Governo do Estado escolheu a mesa, não o terreno, para dar um passo crucial em Juazeiro. Numa cerimônia em Salvador, foram entregues os títulos e certidões que colocam ordem no papel — um avanço tido como vital para que, no futuro, se coloque ordem no chão de fábricas e salas de aula.
A ação, parte do Projeto Registra Bahia, formalizou a situação de 123 lotes no Polo Industrial de Juazeiro, distribuídos em 80 matrículas. Na prática, significa que Estado e particulares agora sabem exatamente onde começam e terminam seus domínios nas Glebas 1 e 2.1 da região.
Os números mostram a dimensão do emaranhado desfeito: na Gleba 1, 58 lotes regularizados, sendo 19 do Estado e 17 de particulares. Na Gleba 2.1, outros 65 lotes, com 27 pertencentes ao Estado e 17 a terceiros. “Estamos organizando o patrimônio do Estado para dar mais clareza e estabilidade a quem produz”, afirmou o governador Jerônimo Rodrigues, ao lado do prefeito Andrei Gonçalves.
Mas será que a segurança no papel basta para atrair os investidores? A pergunta ficou no ar, mas a aposta do governo é que sim. O corregedor-geral de Justiça, desembargador Roberto Maynard Frank, revelou que a estratégia é mais ampla: a regularização de cerca de 12 distritos industriais pelo estado já está em tramitação. “O Estado vai poder fazer investimentos em infraestrutura”, pontuou, conectando a burocracia limpa à chegada de asfalto e rede de água.
E a educação entrou na pauta. O ato também serviu para entregar a certidão de matrícula do icônico Colégio Estadual da Bahia – Central, que abriga o Centro Juvenil de Ciência e Cultura. “A partir de agora, a gente pode fazer novas ações, novas construções nessas estruturas”, comemorou a secretária da Educação, Rowenna Brito, vislumbrando reformas antes travadas pela insegurança documental.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ângelo Almeida, foi direto: “Juazeiro assume como um projeto piloto para Bahia”. A fala é um reconhecimento de que o problema é generalizado — e uma promessa de que outras regiões na fila serão atendidas.
A cerimônia não ficou só no discurso. Jerônimo Rodrigues deu aval para a Seinfra elaborar o projeto de requalificação do próprio distrito industrial de Juazeiro e para a SIHS iniciar as obras de um novo sistema de abastecimento de água na região. São os primeiros movimentos concretos de que a regularização fundiária, longe de ser um fim, quer ser apenas a fundação legal para que o desenvolvimento econômico, de fato, aconteça.
O desafio agora é fazer com que a eficiência do cartório se traduza em celeridade nos canteiros de obra. A Bahia começou a arrumar a casa — o mundo dos negócios observa para ver se os próximos passos virão na mesma velocidade.
