O Governo da Bahia apresentou nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, um novo equipamento de alta precisão para combater fraudes em postos de combustível em todo o estado. O investimento de R$ 600 mil adquiriu espectrofotômetros FTIR-630, capazes de identificar adulterações no produto de forma quase instantânea durante operações de fiscalização. A tecnologia, apresentada na sede da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-BA), em Salvador, fortalece a ação conjunta com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), formalizada em um Acordo de Cooperação Técnica assinado no mesmo evento.
Como a nova fiscalização vai funcionar na prática?
O secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, deixou claro o objetivo. “Todo mundo tem a ganhar na medida em que a gente fortalece os instrumentos de fiscalização para garantir que o combustível legal, sem adulteração, seja comercializado”, afirmou. O fato é que, até então, as amostras coletadas precisavam ser enviadas a laboratórios, um processo que levava dias. Agora, o resultado sai na hora. Isso permite que os fiscais do Procon-BA interditem bombas contaminadas imediatamente, evitando que mais consumidores sejam lesados. O acordo com a ANP, aliás, dá poderes de polícia administrativa aos agentes baianos, ampliando o alcance das blitzes.
Pra se ter ideia da agilidade, o superintendente do Procon-BA, Tiago Venâncio, destacou o avanço operacional. “Esse aparelho chega para um avanço no resultado e na coleta de amostras, fortalecendo o combate à fraude em todo o Estado”, disse. A reportagem do BahiaBR acompanhou a demonstração do equipamento, que analisa a composição química do líquido e detecta em minutos a presença de solventes, substâncias irregulares ou corantes indevidos. A grande mudança é que, com a tecnologia em campo, a punição ao posto flagrado adulterando o produto pode ser aplicada no ato, sem a demora que antes dava margem para manobras e continuidade da fraude.
E o consumidor que já foi enganado?
Foram 47 dias sem uma resposta concreta para quem colocou gasolina adulterada no tanque e teve o carro avariado. A história se repete há anos, com denúncias de motoristas em todas as regiões. O novo equipamento é uma resposta técnica a um problema crônico, mas a cobrança por ressarcimento aos já prejudicados segue como uma dívida. O Procon-BA informou que as operações com os espectrofotômetros começam imediatamente, com foco inicial nos postos que já são alvo de investigação ou reclamações recorrentes.
E tem mais. A expectativa do órgão é estender a mesma tecnologia, ainda em 2026, para o combate à adulteração de bebidas alcoólicas. “Futuramente, esse equipamento irá nos ajudar também no combate à questão do metanol nas bebidas alcoólicas”, concluiu Tiago Venâncio. A medida busca frear um grave problema de saúde pública, já que a ingestão de álcool metílico pode levar à cegueira e até à morte. O investimento estadual, portanto, mira duas frentes de fraude que impactam diretamente o bolso e a segurança do baiano.
O que salta aos olhos é o timing. A aquisição ocorre em um período de alta nos preços dos combustíveis, quando a tentativa de maximizar lucros através da adulteração costuma aumentar. A longo prazo, a presença anunciada dos equipamentos de checagem rápida tem potencial para inibir a prática. O desafio, como sempre apontado pelo BahiaBR em sua cobertura de defesa do consumidor, será garantir a capilaridade das fiscalizações, levando a tecnologia para o interior do estado, onde a vigilância costuma ser menos frequente.
