✦ Resumo

Bahia investe R$ 23 milhões em planos hídricos e monitora 332 rios em tempo real para enfrentar desafios climáticos.

Foto: Matheus Lemos- Ascom/Sema

Qual é a situação da água na Bahia em 2026?

A Bahia está ampliando o monitoramento de sua rede hídrica e aplicando recursos em planejamento estratégico para enfrentar os desafios climáticos. No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) destacam um investimento superior a R$ 23 milhões em planos de bacias hidrográficas e estudos. O estado opera atualmente 252 estações para medir o nível de rios e reservatórios, além de 193 estações pluviométricas, em um esforço de gestão em tempo real coordenado pela Sala de Situação do Inema. A coordenadora de Recursos Hídricos da Sema, Larissa Cayres, afirma que o novo Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH 2026-2040) é uma resposta urgente ao novo contexto climático.

Como funciona o monitoramento em tempo real?

A coisa tá feia em várias regiões, mas a tecnologia tenta dar uma resposta. A Sala de Situação do Inema emite boletins e avisos sobre eventos críticos, como secas ou cheias, que subsidiam diretamente as defesas civis municipais e estadual. Segundo a especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rosane Aquino, esse monitoramento hidrometeorológico é contínuo. O Programa Monitora, por sua vez, checa a qualidade da água em 637 pontos de rios e reservatórios, além de 147 pontos ao longo do litoral para verificar a balneabilidade. São 332 corpos d’água sob vigilância constante. O fato é que a fiscalização também foi apertada. Só em 2025, milhares de processos de outorga de uso da água foram analisados. Operações planejadas buscam coibir captações e barramentos irregulares, com aplicação de penalidades. Quem paga a conta é o morador quando a gestão falha, por isso o estado tenta garantir o uso justo.

Para onde vai o dinheiro investido?

Olha o dado: o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FERHBA) desembolsou quase R$ 4 milhões apenas em 2025 para a elaboração de planos de bacias. O montante total investido ao longo dos anos nesses estudos estratégicos ultrapassa os R$ 23 milhões. Esses planos são fundamentais para mediar conflitos pelo uso da água e orientar políticas públicas regionais. Programas estruturantes recebem reforço, como o Água Doce, que leva água potável ao semiárido, e o PROGETÃO, que já destinou mais de R$ 10 milhões ao fortalecimento da gestão hídrica baiana. A reportagem do BahiaBR acompanha a crise hídrica no estado há uma década e vê um movimento recente de tentativa de antecipação aos problemas. O grande teste para essa estrutura de monitoramento e planejamento milionário será a próxima grande seca, quando a pressão sobre os recursos colocará à prova toda a teoria dos relatórios e salas de situação. Traduzindo: a Bahia está montando um aparato técnico e regulatório robusto. O novo PERH 2026-2040 promete integrar a gestão de águas superficiais e subterrâneas. A pergunta que fica é se a agilidade na resposta prática conseguirá acompanhar a velocidade das mudanças no clima. A história se repete no semiárido, e a população aguarda para ver se, desta vez, o planejamento sai do papel antes que os reservatórios sequem. Programas que vão além da fiscalização Além do monitoramento e da regulação, ações de acesso à água potável seguem em curso. O Programa Água Doce é um exemplo, atuando em comunidades do semiárido. O investimento em infraestrutura de gestão, via PROGETÃO, também busca criar uma base duradoura. Para se ter ideia da abrangência, o trabalho envolve desde a medição precisa da chuva no oeste até a análise da qualidade da água nos resorts do litoral sul. O fechamento do ciclo depende de participação social e controle rígido. O modelo baiano, dito integrado e descentralizado, será colocado à prova nos próximos anos. A conta da insegurança hídrica é sempre alta, e o estado tenta, agora com mais dados na mão, evitar que ela chegue novamente para a população mais vulnerável.

 

 

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Sobre o autor

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.