Um sonho que virou possível
Ryan Santos e Santos não conseguia acreditar. A convocação para a Seleção Brasileira de Canoagem, um objetivo que parecia distante, chegou. “Com muitos treinos e dedicação, consegui realizar e fazer o impossível virar possível”, conta o jovem da Associação de Canoagem de Itacaré (ACI), em seu primeiro chamado. A felicidade dele ecoa por todo o estado. A Bahia não apenas está na seleção; ela praticamente a comanda na modalidade canoa. Dos 21 nomes anunciados este mês para a Equipe Permanente Nacional, 20 vestem a camisa baiana.
O celeiro que alimenta o Brasil
O domínio é impressionante. Conforme a lista divulgada pela Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), a força baiana vai do auge ao começo. Lá estão o medalhista olímpico Isaquías Queiroz e os representantes em Paris 2024, Jacky Godmann, Mateus Nunes e Valdenice Conceição. Ao lado deles, estreantes cheios de futuro. Cinco clubes do estado, de Ubaitaba a Itacaré, formam essa base poderosa. A presidente da Federação Baiana de Canoagem (Febac), Camila da Conceição Lima, vê o resultado de uma construção. “É gratificante demais ver o trabalho árduo consolidando a Bahia como o principal celeiro da canoagem no Brasil”, afirma.
Esse celeiro tem um nome: Remando em Águas Baianas. O projeto social, uma parceria da Febac com o Governo do Estado, atende mais de 500 crianças e adolescentes em sete municípios. A semente plantada há mais de uma década floresce agora. Treze dos vinte convocados passaram por essa iniciativa ou por suas versões anteriores. “O projeto é o grande marco para o desenvolvimento da canoagem na Bahia e no Brasil. É o responsável por revelar a maior parte dos atletas convocados nos últimos anos”, destaca Camila.
Treino, estrutura e um futuro pela frente
Agora, o desafio se desloca para Minas Gerais. Os selecionados seguem para centros de treinamento especializados em Lagoa Santa e Capitólio. Lá, a equipe nacional oferece suporte técnico e infraestrutura completa. A rotina será intensa. A meta é o alto rendimento. Para Ryan e seus companheiros, é a chance de crescer ao lado de ídolos. “É muito importante poder treinar com os atletas que são minha inspiração no esporte”, planeja o jovem canoísta.
O rio de talentos baiano segue seu curso. Cada remada desses atletas nas águas do Rio de Contas ou do Litoral Sul escreve uma história. Hoje, essas histórias se encontram no mapa do esporte nacional. A Bahia mostra que, com políticas públicas de incentivo e trabalho duro nas comunidades, é possível construir não apenas campeões, mas um legado. Projetos como o Boxe em Lauro de Freitas e a Capacitação em Ginástica seguem a mesma lógica de revelar talentos. O esporte baiano também vibra com conquistas coletivas, como o clássico vencido pelo Bahia, e com eventos que movimentam o estado, como o Rally da Chapada 2026.
