Alckmin vê passo de US$ 9,7 bi com redução de tarifas dos EUA

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Alckmin vê passo de US$ 9,7 bi com redução de tarifas dos EUA

Lúcia L.F
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Homem de meia idade com terno e óculosFoto: © Valter Campanato/Agência Brasil

O governo dos Estados Unidos deu um sinal positivo para as exportações brasileiras. A decisão de cortar 10% em tarifas de produtos como café e carnes movimenta um mercado bilionário — mas a batalha comercial está longe do fim.

O vice-presidente Geraldo Alckmin não usou foguetes, mas a analogia espacial foi inevitável. Em coletiva neste sábado (15), ele classificou a nova ordem executiva norte-americana como um “pequeno passo” de US$ 9,7 bilhões — valor das exportações brasileiras impactadas pela redução de 10% em tarifas de importação. “Foi positivo, na direção correta”, avaliou, com a cautela de quem sabe que a jornada é longa.

A medida, anunciada na sexta-feira, tira a tarifa extra de produtos como café, carnes e frutas. Mas o grande beneficiado, disparado, foi o suco de laranja. O produto, que é o 9º item na pauta de exportações para os EUA, teve sua alíquota adicional zerada. Sozinho, ele representa um negócio de US$ 1,2 bilhão.

— O suco de laranja foi para zero, o mais beneficiado — confirmou Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Com a mudança, o percentual das vendas brasileiras aos americanos livres da tarifa extra salta de 23% para 26%. Na prática, um alívio que vai de US$ 9,4 bilhões para US$ 10,3 bilhões, calculando com os números de 2024.

Mas a comemoração tem um mas. E ele chega com gosto de café. A tarifa sobre o grão, principal produto da lista, caiu, mas ainda está em patamares estratosféricos: 40%. Alckmin foi direto: “Ainda é alta. E o Brasil é o maior fornecedor de café para os Estados Unidos”. A questão que fica é: como um parceiro comercial de peso ainda paga um imposto desses?

O plano do governo é usar o bom senso como argumento. Uma redução maior significaria menos custo para o consumidor norte-americano — e é por aí que a diplomacia econômica brasileira vai seguir atacando.

Nos bastidores, a máquina funcionou. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o secretário de Estado Marco Rubio em Washington. Antes disso, o presidente Lula e Donald Trump conversaram de forma “franca e construtiva” na Malásia. O tom é de otimismo, mas com os pés no chão. “Não tem tema proibido. O Brasil quer resolver. E resolver rápido”, disse o vice-presidente.

E o momento das exportações brasileiras dá fôlego para essa confiança. De janeiro a outubro, o país bateu recorde: US$ 290 bilhões em vendas para o exterior, com um crescimento de 9,1% apenas em outubro.

O “pequeno passo” de quase US$ 10 bilhões, portanto, é um sinal de que a trilha está aberta. O desafio agora é transformar esse avanço tático em uma vitória estratégica para o café, o produto que ainda espera por justiça comercial.

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