✦ Resumo

A 16ª Feira da Agricultura Familiar na Bahia exibe produtos artesanais e agrícolas típicos do estado até domingo, em Salvador.

três vendedoras de artesanatos
Foto: Fabrício Rocha/CAR

Até domingo (14), o Parque Costa Azul em Salvador se transforma na vitrine mais autêntica do estado. A 16ª Feira da Agricultura Familiar reúne o trabalho de mãos baianas, oferecendo presentes que carregam história, identidade e sabor.

O Parque Costa Azul respira um ar diferente nesta reta final do ano. Não é só o clima de festa. É o cheiro de terra, de fibra natural, de chocolate artesanal e cachaça envelhecida. É o burburinho de quem aprecia o trabalho manual. A 16ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária é, há 16 anos, o ponto de encontro da Bahia real com a Bahia que presenteia.

Aqui, as opções de Natal fogem do lugar-comum das vitrines padronizadas. São cerâmicas que guardam a textura do barro, biojoias que capturam a luz do sol do Cerrado, velas que aromatizam a casa com cheiros da caatinga e do sertão. De bolsas e chapéus a licores e chocolates especiais, cada item tem um rosto e um endereço: os 26 territórios de identidade do estado.

Luciana Rocha, servidora pública, é visitante cativa. “Aqui consigo encontrar coisas personalizadas, para todos os gostos”, diz, enquanto observa uma fileira de sabonetes artesanais. A feira resolve a busca por originalidade, mas sua importância é mais profunda. Para Ana Amélia Câmara, gestora escolar, o evento tem o gosto da saudade e do orgulho. Ela reencontrou peças feitas por mulheres de Formosa do Rio Preto, sua cidade natal. “Isso valoriza a cultura do nosso estado. São produtos com a cara da Bahia“, afirma, segurando uma peça de artesanato do Oeste baiano.

E é justamente dessa região, do Cerrado, que vem a força narrativa de uma das expositoras. Aurenilde Aires, conhecida como Áurea, representa o grupo de Mulheres Associação Pró-cultura. No seu estande, o capim dourado e o buriti se transformam em biojoias, bolsas e utensílios de uma elegância rústica.

“Trouxemos o trabalho das mulheres geraizeiras”, explica Áurea, com a firmeza de quem faz da arte um ato político. Cada tiara, cada jarro, é uma declaração de resistência. “Isso pra nós é protagonismo feminino. É querer ver o Cerrado sempre em pé — porque ele tem cara de mulher”.

A feira, no fim das contas, é isso. É economia que gira, sim, com R$ 50 milhões em negócios esperados. Mas é, sobretudo, cultura que se mantém viva. É o mapa da Bahia contado em objetos, sabores e texturas. É a certeza de que o melhor presente não é o mais caro, mas aquele que carrega dentro de si uma história, um território e o suor de quem o fez.

O evento segue até domingo (14), das 10h às 22h, no Parque Costa Azul, com entrada franca. Uma última chance de, antes do Natal, levar para casa um pedaço autêntico — e com alma — da Bahia.

Carregando comentários...

Os comentários para este post foram encerrados (mais de 30 dias).

Encontrou algum erro? Entre em contato
Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.