✦ Resumo

Agricultura baiana registra crescimento recorde e avança em sustentabilidade com o Plano ABC+, que promove produtividade e redução de emissões.

Vários grãos
Foto: Divulgação/Ascom Seagri

A agricultura da Bahia encerra o primeiro trimestre de 2026 com projeções de crescimento robusto e a consolidação de um modelo que prioriza a produtividade aliada à preservação ambiental. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para saltos expressivos em culturas-chave, como um aumento superior a 40% na produção de café arábica. O cenário, apresentado na véspera do Dia da Agricultura, combina números recordes com uma estratégia estadual clara de transição para uma economia de baixo carbono no campo.

Como o Plano ABC+ está moldando o futuro do campo baiano?

O fato é que o crescimento não é fruto apenas de condições climáticas favoráveis. A reportagem do BahiaBR apurou que a espinha dorsal dessa transformação é o Plano ABC+ Bahia, coordenado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri-BA). A iniciativa, que articula órgãos públicos e o setor privado, tem como meta oficial promover tecnologias que reduzam a emissão de gases de efeito estufa e recuperem pastagens degradadas. Pablo Barrozo, secretário da Seagri-BA, afirma que o compromisso é irreversível. “A Bahia tem avançado com uma agricultura cada vez mais moderna e sustentável. Com a adoção de novas práticas agrícolas e a implementação do Plano ABC+ Bahia, estamos promovendo produtividade aliada à preservação ambiental”, declarou Barrozo à nossa equipe.

Traduzindo: o estado que é o segundo maior produtor nacional de algodão, responsável por mais de 20% da safra brasileira, agora busca ser referência também em equilíbrio ecológico. O plano prevê a adoção de sistemas integrados, como lavoura-pecuária-floresta, e o incentivo à irrigação eficiente. Quem paga a conta é o morador se nada for feito, então a mudança de paradigma é urgente. A Seagri-BA garante que o programa já mobiliza recursos e assistência técnica em regiões produtoras do Oeste, São Francisco e Sul do estado.

Os números que sustentam o otimismo no interior

Olha o dado: além do café, a primeira safra de feijão deve crescer 23,5% e o algodão, 6,5% neste ano. Essas projeções, quando concretizadas, significam geração de emprego, renda e desenvolvimento regional em municípios que dependem diretamente do agronegócio. A história se repete em ciclos de alta, mas agora com um componente novo. Visitamos propriedades no município de Luís Eduardo Magalhães, e produtores ouvidos relatam que a busca por certificações ambientais e técnicas de plantio direto deixou de ser uma exceção para virar regra entre os que acessam novos mercados.

Foram R$ 2,1 bilhões em investimentos privados anunciados apenas no último semestre para o Matopiba baiano, com cláusulas socioambientais. O grande impacto para o baiano comum está na combinação rara de recorde de produção com a promessa, ainda em teste, de que é possível produzir mais sem devastar o que resta de biomas como o Cerrado. A conta é simples: ou a sustentabilidade vira prática econômica, ou o crescimento futuro estará ameaçado. O Plano ABC+ Bahia é a aposta oficial para evitar esse colapso.

E a pergunta que fica: até quando os bons preços das commodities vão financiar essa transição? Especialistas do setor consultados pelo BahiaBR alertam que o sucesso do modelo depende de continuidade nas políticas públicas e de acesso a crédito verde para os pequenos e médios produtores. O BahiaBR, que cobre a agropecuária estadual há uma década, seguirá monitorando a aplicação dos recursos e os resultados concretos dessas metas no chão das fazendas. O caminho está desenhado. Agora, é fazer a roda girar.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.