Ação policial em Alagoinhas apreende eletrônicos por crimes digitais em caso de violência doméstica

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Ação policial em Alagoinhas apreende eletrônicos por crimes digitais em caso de violência doméstica

P. Fonseca
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Ação policial em Alagoinhas apreende eletrônicos por crimes digitais em caso de violência domésticaFonte/Crédito: Reprodução: Ascom PCBA

O que a polícia apreendeu na operação?

A Polícia Civil do Estado da Bahia cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência de um homem de 29 anos, investigado por crimes de cyberstalking, extorsão e estelionato eletrônico contra o ex-companheiro. A ação ocorreu na sexta-feira, 13 de março de 2026, no centro do município de Alagoinhas, a cerca de 120 km de Salvador. Foram apreendidos um notebook e dois HDs, que serão periciados para consolidar as provas dos crimes, que se enquadram como violência doméstica e familiar contra a vítima, um homem, com aplicação da Lei Maria da Penha. As investigações são conduzidas pela Delegacia Territorial (DT) de Pojuca, com apoio da 2ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Alagoinhas).

Como os crimes eram praticados?

O investigado, segundo apurações da DT de Pojuca, utilizava conhecimentos avançados em informática para uma perseguição digital contínua. O fato é que a vítima sofria com ameaças de ter imagens íntimas divulgadas, uma tática de extorsão para obter vantagens. A situação, porém, ia além do assédio. O suspeito é acusado de contrair dívidas fraudulentas de alto valor em nome do ex-companheiro, configurando violência patrimonial. Para se ter ideia, ele também teria invadido o celular da vítima, manipulando informações pessoais e até assinaturas médicas, o que pode caracterizar o crime de falsidade ideológica. A história se repete em padrões de controle e perseguição pós-término do relacionamento. A reportagem do BahiaBR consultou especialistas que alertam: a violência digital em relações íntimas é uma extensão perigosa da violência doméstica, muitas vezes subnotificada. O caso em Alagoinhas expõe como conhecimentos técnicos podem ser armas para infligir dano psicológico, moral e financeiro, com a vítima tendo sua privacidade e patrimônio violados de forma remota e persistente.

Qual o papel da perícia nos eletrônicos apreendidos?

Os equipamentos apreendidos – o notebook e os dois discos rígidos – são agora peças-chave. Eles serão submetidos à análise pericial do Instituto de Criminalística da Polícia Civil da Bahia. O objetivo é recuperar evidências digitais que comprovem as invasões, as ameaças arquivadas e os rastros das transações financeiras fraudulentas. Essa etapa técnica é fundamental para embasar a denúncia do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e garantir a responsabilização do investigado. A ação judicial também cumpriu um papel preventivo imediato. Ao retirar os aparelhos do controle do suspeito, as equipes do Serviço de Investigação (SI) interromperam possíveis invasões cibernéticas em curso, preservando a integridade e a segurança da vítima e de sua família. Há indícios, conforme o relatório policial, de que o investigado planejava invadir a residência dos familiares do ex-companheiro. O problema é que crimes digitais em contextos de violência doméstica deixam marcas profundas. A vítima, mesmo após a ação policial, precisa de suporte psicossocial, algo que a rede de proteção municipal de Alagoinhas terá que avaliar.

A questão é outra: a investigação segue em aberto. A Polícia Civil não divulgou se o investigado foi preso em flagrante ou se responderá ao processo em liberdade. O que salta aos olhos é a sofisticação dos métodos, unindo afeto desfeito, conhecimento técnico e intenção criminosa. O caso deve servir de alerta para que outras vítimas, independentemente do gênero ou orientação sexual, busquem ajuda nas delegacias especializadas.

No fim das contas, a operação em Alagoinhas ilustra um desafio crescente para as forças de segurança. Combater a violência doméstica no século XXI exige não apenas ir à porta de casa, mas também decifrar códigos, rastrear IPs e entender o rastro digital do ódio. A perícia nos equipamentos apreendidos dirá a próxima palavra.

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