A Prefeitura de Salvador iniciou nesta quarta-feira (8) uma ação emergencial para atender 626 famílias de marisqueiras, pescadores e ambulantes impactados pela contaminação química na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário. A iniciativa, que segue até esta quinta-feira (9) na Escola Municipal Otaciano Pimenta, inclui a entrega de cestas básicas e a atualização do Cadastro Único para acesso a programas sociais como o Seguro-Defeso, evitando o deslocamento das famílias até o bairro do Comércio.
O secretário municipal de Promoção Social, Júnior Magalhães, definiu o quadro como alarmante. “Estamos diante de um quadro social alarmante, e a nossa preocupação é social. Por isso, estamos atuando aqui, atendendo às pessoas que foram diretamente impactadas, pois fazem do mar o ganha-pão e o sustento de suas famílias”, afirmou. A ação é uma parceria entre a Sempre e a Secretaria Especial do Mar (Semar).
Impacto social de um desastre ambiental
A secretária especial do Mar, Maria Eduarda Lomanto, conectou a crise ambiental à urgência social. “O papel do município é acolher, entender as dificuldades e olhar com carinho para os pescadores e marisqueiros da nossa cidade. Para nós, o principal é pensar no futuro dessas pessoas, no que vai acontecer a partir de agora”, disse. A praia foi interditada no dia 11 de março após análise do Inema constatar contaminação por cobre e nitrato, com riscos de infecções, hepatite A e conjuntivite.
Quase três meses depois, a marisqueira Ediunice Oliveira, de 55 anos, calcula o prejuízo. “Nessa época, por conta da Semana Santa, era para estarmos ganhando dinheiro. Mas não tivemos condições de pescar, porque a maré está contaminada e os pescados estão morrendo”. Ela resume o sentimento da comunidade: “Me sinto vista, e isso é muito importante”.
Rede de sustento paralisada
A quilombola Elindeia Medeiros, de 47 anos, é dona de aviamento e emprega outras pessoas. “Somos seis irmãos. Meu aviamento está parado, não temos como pescar. Agora mesmo começa a época do camarão, e não podemos vender”. O irmão dela, Edson Conceição, de 42 anos, vê a ação como uma chance. “Nunca recebi o Seguro-Defeso, e espero que agora essa conquista venha”. Na casa dele, quatro pessoas dependem exclusivamente dos pescados.
O atendimento ocorre das 8h às 17h e é voltado a pessoas previamente cadastradas. A gestão estadual informou que a investigação sobre a origem da contaminação, que também causou mortes de animais marinhos e manchas na areia, permanece em andamento. Enquanto isso, a conta chegou para quem vive do mar.