A operação Alta Potência 2 atingiu o coração financeiro de uma organização criminosa violenta. Foram cumpridos 31 mandados de prisão e bloqueados ativos que lavaram milhões, expondo uma rede interestadal de tráfico e homicídios.
A teia de violência e dinheiro sujo se estendia por quatro estados, mas seu coração batia no sul da Bahia. Nesta terça-feira (18), a FICCO/BA moveu suas peças com precisão cirúrgica. A operação Alta Potência 2 não foi um simples golpe; foi uma investida para desmontar a engrenagem completa de uma facção criminosa — do tráfico de drogas e homicídios à sofisticada máquina de lavagem de capitais.
A ação, uma parceria da força-tarefa com a delegacia de Ipiaú e o CPR do Médio Rio de Contas, cumpriu 79 ordens judiciais de uma vez. Um esforço massivo que mobilizou mais de 250 policiais nos estados da Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. O saldo: 31 preventivas, 38 buscas e apreensões, e o bloqueio de ativos em mais de 90 contas bancárias.
O rastro de R$ 52 milhões e a vida dupla dos chefes
O que as investigações revelaram é a clássica hipocrisia do crime organizado. Enquanto semeavam violência em municípios baianos como Ipiaú, Jequié e Itagibá, a liderança e seus familiares viviam longe do caos que financiaram. Mantinham residências em Sacramento/MG, Barra Velha/SC e até na capital paulista.
Aqui, os números falam por si: o núcleo financeiro da facção movimentou impressionantes R$ 52 milhões em apenas três anos. O dinheiro do tráfico e do sangue era injetado na economia formal através de contas bancárias e da aquisição de oito imóveis. Uma operação de lavagem que tentava dar uma aparência legítima a recursos manchados de ilegalidade.
A queda do líder em SC: a peça que faltava
Toda essa estrutura começou a ruir em junho do ano passado, durante uma operação anterior. Foi em Barra Velha, litoral de Santa Catarina, que a polícia prendeu o cérebro por trás da organização. Naquele momento, foram apreendidos elementos cruciais — celulares, documentos, anotações.
Esse material se tornou a chave. Ele permitiu aos investigadores mapear com clareza inédita os eixos financeiro, logístico e operacional do grupo. De repente, nomes e funções antes obscuras ganharam contornos nítidos: quem eram os operadores financeiros e quem comandava a venda direta de drogas nas ruas.
Uma estrutura tão complexa, com ramificações em tantos estados, será totalmente desmantelada com esta ação? A FICCO/BA deu um golpe certeiro no bolso e na liberdade dos investigados. O desafio, agora, é garantir que novas cabeças não surjam para ocupar o vazio.
A FICCO/BA reúne o que há de mais pesado no aparato de segurança: Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e as secretarias estadual e nacional de políticas penais. Uma arquitetura de guerra contra o crime que mostrou sua força — e sua precisão.
