Impacto imediato nas exportações
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia altera imediatamente as condições para a indústria brasileira. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 82,7% das exportações do Brasil para o bloco europeu entrarão sem tarifa assim que o tratado vigorar. A análise da entidade industrial considera a formalização do acordo uma virada estratégica.
Dados da abertura comercial
A CNI divulgou o estudo neste sábado (17), após a assinatura em Assunção. O acordo eleva o acesso brasileiro ao mercado de importações mundiais de bens de 8% para 36%. A União Europeia respondeu sozinha por 28% do comércio global em 2024. Do lado europeu, 54,3% dos produtos negociados – mais de cinco mil itens – terão imposto zerado desde o início da vigência.
Prazos assimétricos para adaptação
O Brasil terá prazos mais longos para reduzir suas tarifas. Conforme o documento da CNI, o país se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações com origem na UE. Para 44,1% dos produtos, equivalentes a 4,4 mil itens, o Brasil terá entre 10 e 15 anos para a redução. A entidade calcula que o país terá, em média, oito anos adicionais para se adaptar se comparado ao prazo do bloco europeu.
Próximos passos e alcance do tratado
O texto agora depende de ratificação legislativa. O Parlamento Europeu e os congressos nacionais do Mercosul devem analisar o acordo. A implementação da parte comercial ocorrerá de forma gradual nos próximos anos. A CNI avalia que o tratado, negociado por mais de 25 anos, incorpora regras que aumentam a previsibilidade regulatória e criam um ambiente mais favorável aos investimentos.
