Consumidor baiano segue cauteloso com alta do endividamento
As vendas do comércio varejista na Bahia praticamente não se moveram em novembro de 2025. O setor registrou uma variação de apenas 0,2% em relação a outubro, conforme análise da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) sobre a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC/IBGE). O resultado ficou abaixo da média nacional, que cresceu 1,0% no mesmo período. A estabilidade ocorre em um mês tradicionalmente aquecido pelas contratações de fim de ano, mas esbarra em um recorde negativo: 76,2% das famílias baianas estão endividadas.
Contraste entre confiança e endividamento marca período
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomércio-BA, mostra que o percentual de famílias com dívidas atingiu o maior patamar em mais de 15 anos. A inadimplência também subiu pelo quarto mês seguido, alcançando 27,1% das famílias. Este cenário atua como um limitador do consumo, mesmo com a melhora na expectativa do consumidor. Dados da Fundação Getúlio Vargas indicam que o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 1,3 ponto, influenciado pelo fortalecimento do mercado de trabalho e pelo alívio da inflação.
Comparação anual mostra crescimento sustentado
Na comparação com novembro de 2024, o varejo baiano apresentou um desempenho mais robusto, com alta de 2,8%. Este é o oitavo mês consecutivo de expansão frente ao ano anterior, ritmo superior ao do Brasil, que cresceu 1,3% na mesma base de comparação. No acumulado de janeiro a novembro, a Bahia registra crescimento de 2,2%, contra 1,5% no país. Três segmentos puxaram esse crescimento anual: Combustíveis e lubrificantes (8,5%), Móveis e eletrodomésticos (6,2%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,2%).
Black Friday tem desempenho abaixo do esperado
A Black Friday de 2025 não repetiu o impacto do ano anterior. Estratégias com lançamentos de produtos e descontos agressivos, relatadas por setores ligados ao Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), geraram crescimento frente a 2024, mas não superaram o desempenho de 5,4% registrado em novembro do ano passado. No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, as vendas ficaram estáveis (-0,2%) na comparação mensal. Na comparação anual, o crescimento de 1,8% não foi suficiente para reverter a trajetória negativa do acumulado do ano, que permanece em -0,3%. O cenário de juros no topo e custo de vida elevado e a pressão fiscal são fatores que continuam a pesar no orçamento das famílias, enquanto o salário mínimo de 2026 busca trazer algum alento.
