Verão sem Gastar: Parques e Museus de Salvador Viram Refúgios Contra o Calor e a Rotina

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Verão sem Gastar: Parques e Museus de Salvador Viram Refúgios Contra o Calor e a Rotina

Júlia Leal
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um homem e uma mulher caminhando em um parqueFoto: Divulgação/ Secom PMS

O verão em Salvador é frequentemente associado ao agito das praias e ao movimento dos bares, mas existe uma cidade que pulsa em tons de verde e em corredores silenciosos de museus. Para quem busca uma alternativa ao óbvio, a capital baiana oferece uma rede de equipamentos públicos que permitem o lazer em família sem pesar no orçamento. São parques que servem como pulmões urbanos e centros culturais que guardam a nossa ancestralidade, funcionando como verdadeiros oásis de tranquilidade em meio à efervescência da temporada, que também pode ser vivida em eventos como o Verão da OSBA: roteiro musical gratuito percorre do Pelourinho à Vitória.

Oásis Verdes: Onde a Natureza e a História se Encontram

A preservação ambiental em Salvador ganhou contornos de lazer acessível. O Jardim Botânico, localizado em São Marcos, é um exemplo de como a biodiversidade pode dialogar com a história. Com uma extensão de 17 hectares, o espaço abriga o Jardim Etnobotânico, que estabelece uma ponte direta entre a flora local e as raízes afro-brasileiras. É um convite à contemplação que vai muito além do passeio comum, permitindo uma imersão técnica e sensorial em mais de 61 mil espécies vegetais.

Outro ponto de destaque é o Parque Pedra de Xangô, em Cajazeiras. Mais do que uma área de conservação, o local se consolidou como um símbolo de resistência religiosa e cultural. A abertura ininterrupta do espaço reforça sua função como área de convivência comunitária, enquanto o memorial preserva o registro histórico da região.

Para facilitar o planejamento do seu passeio, organizamos os horários e locais dos principais parques:

Equipamento Localização Funcionamento Principal
Parque da Cidade Itaigara Terça a Sábado (05h às 22h) / Dom (05h às 19h)
Lagoa dos Dinossauros Stiep Terça a Domingo (08h às 17h)
Jardim Botânico São Marcos Terça a Sexta (08h às 17h) / Sábado (08h às 14h)
Cima (Mata Atlântica) Bonfim Quarta a Sábado (09h às 17h) / Dom (10h às 13h)

Imersão Cultural no Coração da Cidade

A diversidade de Salvador também se reflete em seus museus e galerias, que adotam políticas de acesso facilitado para quem reside na capital. No Comércio, a Casa das Histórias de Salvador e a Galeria Mercado (localizada no subsolo do Mercado Modelo) oferecem um mergulho na iconografia e na produção artística baiana. O diferencial reside na gratuidade estratégica às quartas-feiras em diversos equipamentos, uma medida que democratiza o aporte cultural para o cidadão, em sintonia com iniciativas como o Resgate das Raízes: Diversidade Musical Reocupa Espaços Públicos do Centro Histórico.

Abaixo, detalhamos as condições de acesso para os espaços geridos pelo município:

  • Casa do Carnaval (Praça da Sé): Foco na memória da maior festa de rua do mundo. Residentes com comprovante pagam meia-entrada (R$ 10) todos os dias.

  • Casa do Rio Vermelho: Antigo lar de Jorge Amado e Zélia Gattai. A entrada é franca às quartas-feiras.

  • Espaços Pierre Verger e Carybé (Barra): Localizados nos fortes Santa Maria e São Diogo, os locais utilizam tecnologia e fotografia para exaltar a estética baiana.

O Reflexo Social na Grande Salvador

Esta oferta de espaços públicos impacta diretamente a qualidade de vida não apenas de quem mora no centro, mas também de moradores de cidades vizinhas como Lauro de Freitas e Simões Filho, que buscam em Salvador opções de baixo custo. A manutenção desses locais é um passo importante para a saúde mental da população, que encontra no lazer gratuito uma forma de escape às pressões cotidianas do trabalho e do transporte público. É imperativo questionar, entretanto, se o acesso a essas áreas é acompanhado de segurança e infraestrutura de transporte eficiente, pontos que determinam a real utilidade desses equipamentos para as periferias.

Explorar Salvador sob esta ótica é uma forma de reafirmar o pertencimento à nossa terra. Seja no silêncio da Lagoa dos Pássaros ou na interatividade do Museu da Música, a cidade se revela muito mais profunda do que os cartões-postais costumam mostrar, oferecendo também experiências como o Pelourinho abre alas para o verão com show gratuito do Cheiro de Amor e o Pôr do Jau: O reencontro da música baiana sob o sol de Janeiro.

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