Baianão 2026: Estádios viram trincheira no combate ao feminicídio e à violência de gênero

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Baianão 2026: Estádios viram trincheira no combate ao feminicídio e à violência de gênero

P. Fonseca
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Duas mulheres com um a faixa "Feminicidio zero".Foto ilustrativa: Alisson Mota

O apito inicial do Campeonato Baiano 2026, agendado para este sábado (10), carrega uma missão que vai além do resultado em campo. A partida entre Vitória e Atlético de Alagoinhas, às 16h, marca o lançamento de uma ofensiva institucional contra a violência doméstica no estado. Através de uma cooperação estratégica, o Governo da Bahia e a Federação Baiana de Futebol (FBF) transformam as praças esportivas em pontos de acolhimento e educação.

A presença da Unidade Móvel da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) na frente do estádio Manoel Barradas não é simbólica; é uma resposta direta a estatísticas preocupantes. O serviço oferecerá suporte multidisciplinar, garantindo que o ambiente do futebol — historicamente marcado pelo domínio masculino — torne-se um espaço de denúncia e enfrentamento ao machismo estrutural.

A Correlação entre o Futebol e a Violência Doméstica

Dados técnicos fundamentam a necessidade desta intervenção durante o certame estadual. Estudos recentes demonstram que a paixão clubística, quando desvirtuada, reflete de forma agressiva dentro dos lares. A análise do cenário nacional revela padrões que o pacto baiano busca romper:

  • Aumento de Ameaças: Em dias de partidas oficiais, o registro de intimidações contra mulheres sobe 23,7%.

  • Lesões Corporais: Os casos de agressões físicas dolosas apresentam um salto de 20,8% no contexto doméstico em períodos de competição.

  • Frequência do Feminicídio: No Brasil, o crime de ódio contra o gênero feminino ceifa uma vida a cada seis horas.

Diante desses indicadores, o projeto “Feminicídio Zero” utiliza a capilaridade dos dez clubes da elite estadual para disseminar protocolos de prevenção. O questionamento que fica para a sociedade baiana é claro: como permitir que um momento de lazer se converta em estatística criminal? A mobilização pretende forçar essa reflexão entre torcedores e agremiações.

Estrutura de Apoio e Engajamento dos Atletas

O diferencial desta campanha em 2026 é a descentralização do atendimento. Não se trata apenas de publicidade institucional, mas de ação direta coordenada por diversos órgãos. O consórcio de proteção envolve:

Instituição Papel na Campanha
SPM Gestão da Unidade Móvel e suporte multidisciplinar.
Defensoria Pública Orientação jurídica e assistência às vítimas.
Clubes e FBF Engajamento de jogadores e ações nos gramados.
Irdeb Disseminação da mensagem durante as transmissões oficiais.

Os jogadores, figuras de influência direta sobre a massa torcedora, atuarão como vetores de mudança. A ideia é que o respeito à integridade feminina seja pauta nas preleções e nas redes sociais dos ídolos locais, humanizando o debate e retirando o tema da invisibilidade.

Reflexos na Região Metropolitana e Interior

Em Salvador e Lauro de Freitas, onde a concentração de torcidas organizadas é massiva, a fiscalização e o suporte ganham contornos de urgência. O fluxo intenso de pessoas nos arredores dos estádios da capital e da Região Metropolitana exige que as unidades móveis operem com eficiência máxima. O sucesso desta iniciativa no Baianão pode servir de modelo para outras festas populares do estado, como o Carnaval, onde o monitoramento de gênero é sempre um desafio logístico.

É preciso encarar o fato de que a violência não é um “efeito colateral” do esporte, mas um problema social que se infiltra nele. A união de forças entre a Defensoria Pública e o setor esportivo é um passo relevante para que a Bahia lidere um movimento de transformação cultural. A meta é que, ao final do campeonato, o maior troféu seja a redução efetiva dos índices de criminalidade contra a mulher em todo o território baiano.

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