O custo do deslocamento diário em Salvador terá um novo teto a partir desta segunda-feira (5). A administração municipal confirmou que o valor da passagem dos ônibus urbanos passará para R$ 5,90. A medida atinge não apenas os coletivos convencionais, mas também o sistema BRT e as frotas do STEC. Embora o Executivo destaque que o percentual aplicado na capital baiana ficou abaixo da média de outras metrópoles brasileiras, o reajuste exige planejamento imediato dos usuários que dependem do transporte público para o trabalho e lazer.
A mudança ocorre em um momento de transição para o sistema. Para mitigar o impacto financeiro, a prefeitura aposta na manutenção das regras de integração através do Salvador Card. Com o dispositivo, o passageiro mantém o direito de utilizar até três modais — incluindo o Metrô — pagando apenas um acesso. Esta dinâmica de transbordo é o principal mecanismo para evitar que o aumento se multiplique nas viagens de longa distância que cruzam a cidade.
Aporte Financeiro e Expansão da Frota Climatizada
Paralelamente ao aumento da tarifa, a gestão municipal anunciou uma injeção de capital de R$ 264 milhões, viabilizada através de contrato com o BNDES. Este recurso será destinado à compra de 300 novos ônibus equipados com a tecnologia Proconve-P8 (Euro VI). A escolha técnica visa reduzir a emissão de poluentes, alinhando a mobilidade urbana a padrões ambientais mais rígidos.
Os novos veículos devem suprir uma das maiores demandas dos soteropolitanos: o conforto térmico. Atualmente, cerca de 50% da frota possui ar-condicionado. A meta estabelecida é que, nos próximos anos, a totalidade dos ônibus operando na cidade seja climatizada. Além do resfriamento interno, as novas unidades contarão com letreiros traseiros para facilitar a visualização das linhas, corrigindo uma falha recorrente de comunicação visual nos modelos anteriores.
Reestruturação de Itinerários e Retorno de Linhas Antigas
Um ponto que merece análise crítica é a logística de atendimento nos bairros. O sistema tem passado por ajustes para tentar diminuir o tempo de espera nos pontos. Já neste sábado (3), cinco novos trajetos começam a operar. As regiões de Itapuã e Praia do Flamengo passam por uma readequação que inclui três novas linhas. Já a Estação Pirajá recebe dois novos atendimentos.
A estratégia de “retomada” de linhas que haviam sido extintas após a integração com o metrô é uma resposta direta à pressão popular. Exemplos como a linha 1515 (Conjunto Pirajá x Ribeira) e a parcialidade da 1645 (Alto de Santa Terezinha/Rio Sena x Pituba) demonstram que a integração forçada nem sempre atendeu à capilaridade necessária da cidade. O desafio para 2026 será equilibrar a saúde financeira das empresas concessionárias com a eficiência real desses trajetos retomados.
Análise: O Cenário da Mobilidade na Região Metropolitana
A realidade de Salvador reflete o que ocorre em cidades vizinhas, como Lauro de Freitas. A conexão entre as frotas municipais e o sistema metroviário é o que sustenta a viabilidade econômica do transporte na Região Metropolitana. No entanto, o aumento da tarifa em Salvador costuma gerar um efeito dominó nas linhas intermunicipais, pressionando os órgãos reguladores estaduais a também revisarem seus custos.
Enquanto a capital investe em eletromobilidade — com oito unidades elétricas em teste e o maior terminal de recarga pública do país — o usuário comum ainda questiona se o valor de R$ 5,90 será acompanhado de uma pontualidade rigorosa. O aporte milionário do BNDES é um passo importante, mas a eficiência do transporte público é medida na prática, pela redução das filas e pela qualidade do serviço ofertado sob o sol do verão baiano.
