34 anos da APA Litoral Norte: conservação e turismo sob pressão imobiliária

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34 anos da APA Litoral Norte: conservação e turismo sob pressão imobiliária

34 anos da APA Litoral Norte: conservação e turismo sob pressão imobiliária
Lúcia L.F
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34 anos da APA Litoral Norte: conservação e turismo sob pressão imobiliáriaFoto: Yandra Barros/Sema|Inema

A Área de Proteção Ambiental (APA) Litoral Norte completa 34 anos nesta terça-feira, 17 de março de 2026, como uma das principais unidades de conservação da Bahia, administrada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Criada em 1992, a unidade abrange uma extensa faixa costeira que vai da divisa com Sergipe até a região metropolitana de Salvador, protegendo ecossistemas críticos como Mata Atlântica, restingas, dunas e manguezais. O principal desafio atual, no entanto, é equilibrar a vocação para o turismo sustentável com o crescimento acelerado e desordenado do setor imobiliário, que pressiona os recursos naturais e ameaça a biodiversidade local.

Como a gestão participativa tenta frear a especulação?

Um dos pilares de atuação da APA Litoral Norte é o seu Conselho Gestor, que reúne 54 instituições dos setores público, privado e da sociedade civil. A gestora da unidade, Adriana Batista, aponta essa estrutura como uma conquista fundamental. “A formação do seu Conselho Gestor, associada à qualificação das suas instituições e a implantação da gestão participativa, vem sendo um diferencial na gestão socioambiental do nosso território”, afirmou Batista em entrevista ao BahiaBR. Na prática, esse colegiado discute problemas e propõe soluções para a gestão do território, que inclui destinos turísticos consolidados como Praia do Forte, Imbassaí e Baixio.

Acontece que o boom imobiliário na região virou caso de polícia ambiental. A reportagem do BahiaBR constatou, em visitas recentes, a expansão de condomínios e loteamentos em áreas sensíveis de restinga. Adriana Batista não esconde a preocupação: “Um dos principais [desafios] é conseguir acompanhar, e equilibrar, a perda acelerada de remanescentes de vegetação devido ao boom imobiliário local e a especulação imobiliária”. O ritmo de ocupação, muitas vezes, supera a capacidade fiscalizatória do Inema.

Turismo de natureza gera renda, mas a pressão continua

O potencial para o turismo de natureza é inegável e contribui para a geração de renda local. A APA abriga roteiros reconhecidos dentro da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, fortalecendo a imagem do Litoral Norte como destino de ecoturismo. A gestora Adriana Batista define a unidade como “um espaço especialmente protegido que nos traz a possibilidade de melhor gerir ambientalmente o território, trazendo a importância da nossa sociobiodiversidade”.

O fato é que a conta do crescimento desequilibrado já chegou. Enquanto novos empreendimentos são anunciados, comunidades tradicionais e o próprio ecossistema sentem o impacto. A perda de vegetação nativa altera o regime de dunas e a proteção natural da costa, aumentando riscos de erosão. Para se ter ideia, a Mata Atlântica na região do Litoral Norte está entre os remanescentes mais pressionados do estado, segundo dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Fundação SOS Mata Atlântica.

Traduzindo: a APA Litoral Norte, após 34 anos, vive um paradoxo. Sua existência garante um marco legal para a conservação e incentiva uma economia mais verde, mas a especulação imobiliária avança em um ritmo que desafia a própria razão de ser da unidade de conservação. O futuro do litoral mais cobiçado da Bahia depende agora de uma fiscalização mais robusta e do real poder de deliberação do seu conselho gestor. Quem paga a conta é o morador, o pescador e o pequeno comerciante que dependem da saúde desses ecossistemas. A história se repete, mas a ferramenta para mudá-la, criada há mais de três décadas, precisa ser usada com urgência.

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