O que os estudantes da Bahia apresentam na Febrace?
Estudantes da rede estadual da Bahia representam o estado na 24ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que se encerra nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, no Centro de Inovação da Universidade de São Paulo (USP), campus Butantã, em São Paulo. A classificação para o evento nacional veio após a vitória na etapa estadual do Encontro Estudantil, promovido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) em dezembro de 2025. Os três projetos finalistas foram indicados pela 13ª Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (Feciba), afiliada oficial da Febrace, e abrangem temas como educação ambiental, descarte de medicamentos e sustentabilidade alimentar. A reportagem do BahiaBR apurou que a participação consolida um canal de visibilidade nacional para a produção científica oriunda das escolas públicas baianas.
Da sala de aula para um evento nacional de pesquisa
Do município de Jiquiriçá, no Território de Identidade Vale do Jiquiriçá, veio o projeto “Cidade das águas: explorando a produção audiovisual na promoção da educação ambiental com foco nos corpos hídricos de Jiquiriçá”. As autoras, Yann Queiroz Figueredo e Adrielle Nayara Souza Oliveira, são alunas do Colégio Estadual de Tempo Integral José Malta Maia. “A Febrace é importante para aprendermos com outros projetos, trocar experiências com estudantes de todo o Brasil e apresentar nossa pesquisa para pessoas que também valorizam a ciência”, afirmou Adrielle. A professora orientadora Lucineide Pereira Santos dos Santos destacou o valor do espaço. “Espero que essa experiência fortaleça a formação científica dos estudantes e mostre que a escola pública também produz ciência relevante”, disse a educadora. Acontece que a diversidade temática é uma marca dos trabalhos baianos. De Juazeiro, no Norte do estado, as estudantes Isabella Maria Soares de Barros e Heloanny Iully Rezende Barbosa, do Colégio Estadual de Tempo Integral Professor Paulo José de Oliveira, apresentam a pesquisa “Venceu ou sobrou? Descarte corretamente o seu medicamento”. Heloanny revelou seu espanto com o nível da feira estadual. “Fiquei lisonjeada em ter participado desse momento pela primeira vez e percebi que projetos simples também podem ter a oportunidade de mostrar o seu potencial em um evento nacional”, comentou.
Inovação que transforma resíduo em alimento
O terceiro projeto baiano na Febrace nasceu no distrito de Serra Grande, em Valença, no Baixo Sul. A aluna Patrícia de Jesus Santos, do Centro Estadual de Educação Profissional da Costa do Dendê, desenvolveu a “Paçoca de caroço de jaca: do descarte ao prato como alternativa culinária sustentável”. A iniciativa, que ficou em terceiro lugar na Feciba, propõe o reaproveitamento do caroço da fruta, normalmente descartado, transformando-o em um produto alimentício nutritivo. “A feira nacional foi uma oportunidade única e muito importante para mim”, revelou Patrícia, que foi orientada pela professora Jaqueline Pereira Bittencourt. Ela completa: “Aprendi muito, principalmente sobre as etapas da pesquisa científica. Foi muito legal poder sair da teoria e colocar tudo na prática”. O fato é que a presença baiana em um evento deste porte não é acidental. A Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) estruturou um processo seletivo interno através da Feciba, que há 13 anos identifica e prepara talentos científicos nas escolas. Para se ter uma ideia da dimensão, a Febrace reúne anualmente mais de 700 projetos de todo o Brasil, sendo considerada a principal vitrine pré-universitária de ciência e engenharia do país. A participação bem-sucedida dos estudantes baianos na Febrace evidencia que, quando há investimento em estrutura e incentivo, a escola pública vira um celeiro de inovação com potencial para resolver problemas reais das comunidades. A história se repete, mas agora com mais força. O BahiaBR acompanha há anos a trajetória de projetos científicos das escolas estaduais, e a cada edição do Encontro Estudantil o nível técnico e a relevância social das pesquisas aumentam. O reflexo disso está na credibilidade conquistada pela Feciba, hoje afiliada oficial da Febrace, o que garante vagas diretas na competição nacional. O que pouca gente sabe é o trabalho de bastidores: os professores orientadores, muitas vezes, dedicam horas extras não remuneradas para mentorar os jovens cientistas. E a pergunta que fica: qual o impacto prático dessa jornada? Além do reconhecimento, a experiência coloca os estudantes em contato direto com universidades e pesquisadores, abrindo portas para futuras bolsas de iniciação científica e até mesmo para o ingresso no ensino superior por meio de políticas de inclusão. O detalhe que muda tudo é a confiança. “É uma experiência que vai contribuir para o nosso crescimento científico e pessoal”, resumiu Adrielle Oliveira, de Jiquiriçá. A conta é simples: investir na ciência feita na escola pública é semear o desenvolvimento futuro do estado.